domingo, 3 de janeiro de 2010
NOTA DE FALECIMENTO
O roupeiro do Palmeiras José Panzarini morreu nesta quinta-feira - 02/09/2010 - vítima de uma insuficiência cardíaca, aos 76 anos. "Seo Panza", como era conhecido, trabalhava com o elenco profissional do Palmeiras desde 1981.
Durante sua passagem, o clube colecionou os títulos da Libertadores de 1999, dos Brasileiros de 1993 e 1994, da Copa do Brasil de 1998, da Copa Mercosul de 1998, dos Paulistas de 1993, 1994, 1996 e 2008, da Copa dos Campeões de 2000, dos Torneios Rio-São Paulo de 1993 e 2000 e do Brasileiro da Série B de 2003.
O presidente Luiz Gonzaga Belluzzo manifestou os pêsames. "Perdemos uma parte viva da nossa história. Entristece-nos muito a morte deste profissional. Só posso lamentar o falecimento de um grande palmeirense e um grande homem, que por muitos anos serviu ao clube e aos atletas com muita dedicação", disse ao site oficial do clube.
Recentemente a equipe alviverde homenageou Panza dando seu nome ao campo de society da Academia de Futebol. O enterro acontecerá no cemitério da Lapa, na manhã desta sexta-feira.
-01 História do palmeiras
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História do Palmeiras
O navio "Colombo" acaba de chegar da Europa lotado de passageiros e de esperanças. Entre todos aqueles que desembarcaram e, pela primeira vez pisaram o solo nacional, estava Caetano Tozzi, o primeiro dentre os italianos a se registrar nos serviços brasileiros de imigração. Assim como as centenas de milhares de seus patrícios, Caetano trazia uma enorme vontade de trabalhar.
E ela seria mesmo necessária. A abolição da escravatura andava a passos largos e já se sabia que, cedo ou tarde, ela seria assinada, o que viria a acontecer seis anos depois. O País precisaria, então, de uma nova mão-de-obra e nada melhor que esta fosse a dos europeus, sobretudo a dos italianos que chegavam ao Brasil trazidos em virtude das notícias sobre fertilidade de nosso solo.
A vida de nosso personagem não foi melhor nem pior do que a da maioria dos "oriundi", como eram conhecidos os italianos que deixavam sua pátria. Nos quase 50 anos em que viveu no Brasil, este imigrante pôde mostrar o espírito aberto às coisas de nosso País, sem deixar de lado o amor pela velha, querida e então já distante Itália.
Mas houve um único detalhe, um pequeno item que marcou para sempre o nome de Caetano Tozzi e de uns poucos outros italianos: empresário, ajudou no parto da industrialização nacional. E, 15 anos antes de morrer, teve o orgulho de poder ser um dos fundadores do Palestra Itália. Ele não foi o único, é verdade, mas foi um deles. Era o início de um marco na história do futebol brasileiro e mundial.
Muito Semelhante à história de Caetano Tozzi é a dos italianos que se agrupavam no começo do século para matar, ou melhor, para amenizar a saudade da Itália. Todos os domingos, eles lotavam o Teatro São José para assistir a espetáculos líricos, que depois cantarolavam, ao entardecer, nos bondes de uma São Paulo, à época, ainda envolta em neblina e constantes garoas. Mas nem só de música vivia a colônia: o esporte também aparecia com destaque entre os "oriundi".
Em 1914, o hoje nacionalmente conhecido Clube Espéria se chamava "Societá dei Canottieri" (Sociedade dos Remadores). Lá, se jogava a bocha e, como dizia o próprio nome, se praticava o remo. Porém, o futebol começava a despertar paixões, já que há muito era praticado na Itália com o nome de "calcio".
Quatro italianos – Luigi Cervo, Ezequiel De Simone, Luigi Emanuelle Marzo e Vicenzo Ragognetti – eram os mais animados dentre aqueles que moravam no então totalmente italiano bairro do Brás. Eles se encantaram com a visita do Torino e do Pro Vercelli, times do futebol italiano, e resolveram que os filhos da Itália e os filhos dos filhos da Itália também precisavam de uma equipe de futebol.
Nasce o Palestra
Mal o Torino e o Pró Vercelli embarcaram de volta à Itália e os quatro italianos — Luís Cervo, Ezequiel Simone, Luís Emanuelle Marzo e Vicente Ragonetti — arregaçaram as mangas no intuito de fundar o clube com o qual tanto já sonhavam. Não haveria mesmo momento mais propício, já que toda a comunidade italiana se encantara com a presença das duas equipes patrícias.
Na época, circulava em São Paulo um jornal, o "Fanfulla", órgão oficial e porta-voz voltado aos italianos, que trazia, sempre, notícias da Velha Bota. Como Ragonetti era um de seus fundadores, não teve dúvidas em conclamar a presença de todos os conterrâneos, na edição do dia 19 de agosto de 1914. O texto era o seguinte: "Todos os quais desejarem participar da criação de um clube italiano de calcio (futebol) devem comparecer às 20h00 no número 2 da Rua Marechal Deodoro para a reunião de fundação do Palestra Itália". O nome do clube, como se vê, já estava decidido antecipadamente.
Muito se esperava, mas pouco se conseguiu. As pessoas pensaram que o clube teria, como os outros da época, recitais e bailes. Mas não: os quatro rapazes estavam decididos que o carro-chefe do Palestra Itália seria o futebol, e disso não abririam mão. Após muita discussão e o impasse a que se chegou, foi desfeito o engano. Os descontentes e decepcionados se foram, e uma nova reunião foi marcada para a semana seguinte, dia 26 de agosto de 1914. Nela, enfim, seria fundado o Palestra Itália.
Foram seis longos dias de muita expectativa. Cervo, Simone, Marzo e Ragonetti mal puderam esperar até que chegasse aquela data. Mas, enfim, o dia 26 de agosto de 1914, uma quarta-feira, entraria para a história. Exatamente na hora marcada, estavam presentes ao número 2 da Rua Marechal Deodoro exatas 46 pessoas, hoje consideradas os fundadores do clube.
É verdade: esperava-se mais gente. Mas, ao menos os quatro jovens tinham a certeza de que aqueles outros 42 homens sabiam exatamente o que poderiam esperar do Palestra Itália – pelo menos, em seu início, esta seria uma agremiação de calcio. Ou de futebol, como chamavam-no os brasileiros.
Muita alegria, gargalhadas e confraternização, um bom vinho para brindar mais um "oriundi" que nascia. Mas, e o dinheiro? Em meio à paixão característica do italiano, este detalhe fora relegado ao segundo plano. O mais importante era fundar um clube. Só que, feito isso, o que era secundário passou ser primordial. E se percebeu, então, que havia pouco, ou quase não havia. Foram tempos difíceis.
Primeiros Presidentes
Claro que a honra de se tornar o primeiro presidente do Palestra Itália caberia a um dos quatro principais batalhadores do seu surgimento. Daí o grande problema que herdou, um segundo após ser eleito, Ezequiel Simone. Não bastassem os bolsos vazios, aquele italiano se viu às voltas também com uma série de conflitos de interesses, já que todos os 46 sócios-fundadores se julgavam no direito – e de fato o tinham – de fazer valerem suas opiniões particulares.
Pressionado, Ezequiel Simone permaneceu no comando por apenas 19 dias, cedendo seu posto a Augusto Vicari.
Lá fora, o mundo fervia. Ainda que à distância e com poucas informações, já que os meios de comunicação não tinham nem um ínfimo da potência que hoje possuem, sabia-se que toda a Europa estava envolta numa disputa bem menos nobre do que a da presidência do Palestra Itália: a Primeira Guerra Mundial.
A Itália lutava contra o kaiser alemão Guilherme II, mas a força do general germânico era muita. Tanta, que o governo não teve outra alternativa senão recrutar italianos espalhados por todos os cantos do mundo a também defenderem as cores de sua pátria. E, italiano legítimo, Vacari não fugiu à regra: arrumou suas poucas malas e embarcou num navio, fazendo o caminho de volta tão pouco tempo depois de ter chegado. Em seu lugar no Palestra assumiu Leonardo Paseto.
O primeiro jogo, a primeira vitória
Mas, se a falta de dinheiro do novo clube já era enorme antes da guerra, após sua instalação aumentou ainda mais. Tudo porque a colônia deixou de enviar ao Palestra os fundos que costumeiramente fazia. Não eram muitos, mas eram alguns. Tal dinheiro passou a ser enviado à Cruz Vermelha e à Pró-Pátria, instituições que ajudavam a Itália a enfrentar os poderosos canhões alemães.
Desesperado, vendo-se sem saída e sem fundos até mesmo para o pagamento das contas de água e luz, Paseto chegou à conclusão de que o melhor para todos, inclusive para o Palestra, seria a sua morte. Dali a pouco, acreditava, a guerra terminaria e, então, todos se reuniriam para ressuscitar o querido clube e o tornar grande e forte.
Mas não era desta forma que um dos idealizadores, Luís Cervo, pensava. Quase sempre calado, ele resolveu intervir de forma mais direta, como nunca fizera antes. Um murro na mesa e o juramento de que o Palestra não iria morrer, que o seu ideal e o dos outros três jovens imigrantes – Ragonetti, Marzo e Simone – haveria de vingar. "Uma partida de futebol! Temos que organizar uma partida de futebol!", gritou Cervo. "Assim mostraremos que estamos vivos e que seremos grandes!", concluiu.
A partida que seria a primeira do clube teria, claro, de ser vencida. Afinal, como provar à colônia e boa parte dos fundadores de que o Palestra Itália mereceria uma nova chance se, logo de cara, uma grande derrota surgisse.
Porém, a grandiosidade estava mesmo nos planos desta grande paixão. Assim, escolhido o adversário, o Savóia, clube da colônia italiana na cidade de Sorocaba – que é bom frisar: de fraco nada tinha – o time começou a treinar muito para que um grande papel fosse feito. A fim de chamar a atenção de todos os patrícios da região, ficou acertado que tudo o que se arrecadasse seria entregue à Cruz Vermelha italiana. Assim foi dito e assim foi feito, com a entidade beneficente recebendo 200 contos, uma fortuna na época.
Domingo, 24 de janeiro de 1915. Aquela tarde entrou definitivamente para a história não só do Palestra/Palmeiras, mas também de todo o futebol. Foi exatamente às 15h00 que o primeiro time do Palestra entrou em campo. Os 11 heróis que vestiram a camisa azul com a faixa branca, levando sobre o coração o distintivo contendo a cruz da Casa Real de Savóia, foram Stilittano; Bonato e Fúlvio; Police, Bianco e Vale; Cavinatto, Fiaschi, Alegretti, Amílcar e Ferré.
Em campo, nada de muito amigável, apesar de se tratarem de duas equipes italianas. Jogo duro, disputado, mas que quiseram os deuses do futebol acabasse sendo vencido pelos italianos do Palestra e não pelos italianos do Savóia. O placar de 2 a 0, construído com os gols de Bianco e Alegretti, deu um novo sopro de vida ao Palestra, pouco antes fadado ao esquecimento.
De fora, olhos lacrimejados de emoção, sabor de vitória e de dever cumprido, estava Luís Cervo. Ele sabia que, dali em diante, seria impossível acabar com o clube que ele e muitos outros, apesar do pouco tempo, já tanto amavam.
Perseguição obriga Palestra mudarem de nome
Lembramos logo nos primeiros capítulos de "Nossa História" que as guerras mundiais sempre foram parte importante na vida do Palestra Itália. A primeira, que eclodiu em 1914, por muito pouco não causou o fim do clube que há apenas alguns meses nascera, já que todos os fundos que os "oriundi" inicialmente doariam para a nossa fundação passaram a ser enviados à Cruz Vermelha italiana. Não fosse a ação de homens como Luigi Cervo, como contamos, e certamente hoje não existiria o Palmeiras.
Mas a I Guerra Mundial não teria uma importância tão grande na vida do alviverde quanto a segunda. Vítima de um nacionalismo exacerbado e por isso mesmo absurdo, o Palestra Itália teve que se curvar às pressões e aos escusos interesses alheios sob pena de, caso resistisse mais do que resistiu, ver seu patrimônio dilapidado e terminando em mãos indevidas. Antes, porém, de explicar porque a guerra influenciou a vida do Palestra/Palmeiras, creio ser necessário discorrer um pouco sobre o conflito.
Em 1942, a Segunda Grande Guerra estava no auge. Havia ameaças de bombardeios em todos os cantos do planeta, tal a força que tinha a temível Luftwaffe, a força aérea alemã. O risco era tão iminente que, mesmo em locais em que poucos acreditavam que bombas pudessem cair, como São Paulo, aconteceram blecautes propositais. Por determinação do governo, todas as luzes da Cidade, inclusive as das residências, foram algumas vezes apagadas das 20h00 às 22h00. Tratava-se de um treinamento: se um bombardeio acontecesse à noite, este ato atrapalharia a ação do inimigo, que perderia os pontos de referência para os alvos.
Tal atitude só foi tomada em 1942, praticamente três anos após o início da II Guerra Mundial, porque foi este o tempo em que o Brasil conseguiu ficar "em cima do muro" da questão. O presidente Getúlio Vargas demorou o quanto pôde para decidir entre os aliados, liderados pela Inglaterra e pelos Estados Unidos, ou pelo Eixo, que tinha a Alemanha como estrela principal e a Itália e o Japão como coadjuvantes. A relutância entre optar por um ou pelo outro lado, ainda que a postura nazista deixasse bem claros seus nefastos propósitos, se deu principalmente por questões econômicas: enquanto não tomasse partido, o Brasil poderia se valer financeiramente da luta nos dois lados.
Houve, também, a questão política, já que na ditadura em que estava o País naquela época existiam, entre os políticos de Vargas, simpatizantes do Fascismo criado pelo líder italiano Benito Mussolini.
Getúlio, desta forma, só decidiu optar pelas forças aliadas quando recebeu uma pressão do então presidente norte-americano, Franklin Roosevelt: os aliados precisavam utilizar o litoral do Rio Grande Norte, ponto estratégico na geografia do conflito, para a construção de bases aéreas e marítimas. Em troca, cerca de US$ 20 milhões seriam doados para a construção da Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN, menina-dos-olhos do então ditador. Se não cedesse seu território, tal postura seria considerada uma "má vontade" para com os aliados. Comentava-se até pelos quatro cantos do País, em tom irônico, que se não atendesse ao pedido dos Estados Unidos o Brasil poderia se tornar mais um "Quinta Coluna", como ficou conhecido o serviço de espionagem que a Alemanha de Adolf Hitler espalhou pelo mundo.
Tal pressão surtiu efeito: cedemos Natal para os americanos e, a partir de então, tornamo-nos inimigos das forças do Eixo. Mas o motivo "oficial" da entrada brasileira na II Guerra Mundial foi outro: a frota alemã afundara navios civis brasileiros em nossas águas territoriais e foi este o fato que fez o Brasil declarar guerra à Alemanha e, por conseqüência, também a seus comparsas. Com a decisão de enviar tropas à Europa, o Exército brasileiro surpreendeu o povo, que sempre brincalhão dizia que nossos pracinhas só iriam à luta no dia em que cobra fumasse.
Teoricamente, o Palestra, apenas um time do futebol brasileiro, nada tinha a ver com tudo isso, certo? Mas um ato de Getúlio Vargas acabou fazendo nosso clube, literalmente, entrar na guerra. Por meio de um decreto-lei, assinado em junho de 1942, o presidente obrigava todas as instituições esportivas que tivessem nomes estrangeiros a mudar suas denominações. Por quê? Ninguém sabia explicar quais as vantagens que isso daria ao Brasil, mas lei é lei e, pelo menos naquela época, teve de ser cumprida.
Desta forma, o Germânia passou a ser Pinheiros; o Espanha, de Santos, Jabaquara; e o São Paulo Railway, Nacional. Até a Portuguesa de Esportes, que não precisava mudar nada, passou a se chamar Portuguesa de Desportos, se bem que ninguém viu muita diferença em tal alteração. Havia, naquela época, outros dois Palestras Itália no Brasil: um em Belo Horizonte e outro em Curitiba. Estes, claro, também tiveram de mudar seus nomes, passando a se chamar Cruzeiro o de Minas Gerais e Coritiba o do Paraná.
Mas a mudança mais traumática foi mesmo a nossa, a do Palestra Itália de São Paulo, pois que então, sem dúvida, já se tornara um dos grandes do futebol brasileiro. Houve profunda relutância por parte de diretores, conselheiros e torcedores em aceitar tal imposição governamental. E mais tarde nasceria o Palmeiras.
sábado, 2 de janeiro de 2010
- 02 Craques do Palmeirs

Na foto, Zequinha é o quinto em pé da esquerda para a direita, entre Djalma Dias e Ferrari (na ponta)
SUPER DE 57 MATOU A SEDE DE TÍTULOS DO POVÃO
Em jejum havia dez anos, o Santa Cruz procurou se reforçar com craques chegando de todos os lados para tentar resgatar a hegemonia do futebol estadual, em 1957. Mas seus arquiinimigos Náutico e Sport também possuíam fortes equipes. Com a perda do campeonato de 56 para os rubro-negros, o técnico Palmeira sofreu desgaste no Arruda e acabou cedendo lugar ao argentino Alfredo Gonzalez.
“Recife vivia um clima efervescente pouco antes da conquista, devido ao assassinato do bispo de Garanhuns, dom Expedito Lopes, pelo pároco de Quipapá, Hosana Siqueira”, registrou em seu livro em que conta a história do futebol pernambucano o jornalista Givanildo Alves, já falecido.
A fórmula de disputa do Campeonato Pernambucano mudou em relação ao ano anterior. Em vez de dois turnos, a competição teria três, abrindo-se assim a possibilidade de um supercampeonato, caso equipes distintas conquistassem uma fatia do bolo, cada. E foi o que aconteceu.
O Clássico dos Clássicos, entre Sport e Náutico, no dia 3 de março de 58, abriu a fase extra da competição. O jogo realizado na Ilha do Retiro acabou empatado em 1x1.
Já os tricolores só estreariam seis dias depois. Novamente, a Ilha do Retiro foi escolhida, através de sorteio, para ser palco do Clássico das Emoções. Com um futebol de muita técnica, o Santa superou o Náutico por 3x1, com três gols de Lanzoninho.
E veio a terceira partida, novamente na Ilha, em 16 de março. O time tricolor, se impôs, chegando a abrir uma vantagem de três gols, com Rudimar, Aldemar (de pênalti) e Mituca. Numa reação surpreendente, os rubro-negros marcaram dois gols, com Carlos Alberto e Zé Maria, mas não tiveram forças para empatar o jogo.
No jogo final, o Sport atuou com Manga, Bria e Osmar, Zé Maria, Mirim e Pinheirense, Roque, Traçaia, Liminha, Carlos Alberto e Geo. Técnico: Dante Jorge Bianchi. E o Santa Cruz com Aníbal, Diogo e Sidney, Zequinha, Aldemar e Edinho, Lanzoninho, Faustino, Rudimar, Mituca e Jorginho. Técnico: Alfredo Gonzalez. Árbitro: Esteban Marino.
-03 Palmeiras e ponto verde homenageam a julinho

A exposição do ex-ponta é uma homenagem aos 50 anos do dia em que o Estádio do Maracanã se curvou diante do talento de Julinho. No dia 13 de maio de 1959, ele foi anunciado como titular pelo técnico Vicente Feola na partida amistosa entre Brasil e Inglaterra. 120 mil pessoas que lotaram o templo carioca vaiaram a escalação, já que queriam ver Garrincha na equipe principal.
Mas, como num golpe de mágica, Julinho calou a multidão. Além de um gol, marcado logo aos 3 minutos do primeiro tempo, o ex-craque palmeirense fez uma linda jogada que resultou no segundo gol, marcado por Henrique. Ao final da partida, todo o Maracanã aplaudiu de pé o ponta, que havia acabado de voltar da Itália para atuar pelo Palmeiras.
De acordo com o historiador do clube, José Roberto Christianini, a Mostra é uma homenagem a um dos principais atletas que o Brasil já teve. "O Julinho era um jogador formidável, e sua trajetória nos mais diferentes clubes comprova isso. Ficamos honrados em fazer esta exposição, que contou com a preciosa colaboração de familiares. Foi cedido ao Palmeiras parte do acervo histórico do Julinho, que conta com fotos, camisas originais, reportagens e troféus conquistados por ele ao longo da carreira", revelou.
Julinho Botelho iniciou a carreira no Juventus/SP, mas explodiu anos mais tarde, na Portuguesa/SP. Foi um dos primeiros atletas a ser negociado com o futebol europeu, onde foi campeão italiano de 1956 pela Fiorentina/ITA, clube que o idolatra até hoje. O Palmeiras foi buscá-lo no final da década de 50, e Julinho fez parte do super time campeão Paulista de 1959, em cima do Santos, e também da chamada Primeira Academia, montada por Filpo Nuñes.
Com a camisa palmeirense, o eterno ídolo – que faleceu aos 73 anos no dia 11 de janeiro de 2003 - disputou 267 partidas e marcou 81 gols, estando desta forma entre os 25 maiores artilheiros de toda a história do clube. Dentre os títulso que conquistou pelo Verdão, destaque para os Campeonatos Paulistas de 1959 e 1963, a Taça Brasil de 1960 e o Torneio Rio-São Paulo de 1965.
A exposição acontecerá até o dia 31 de maio no Salão de Troféus do estádio Palestra Itália, sempre de terça a sexta-feira, das 14h30 às 20h00, e aos sábados e domingos das 10h30 às 18h. Os não associados devem solicitar a visita através do e-mail historia.palmeiras@gmail.com. A entrada é franca.
-04 Bertolini estreia no comando do ataque

O futebol em seus primeiros tempos era algo muito curioso e, também, completamente diferente daquele que hoje conhecemos.
Uma das situações mais interessantes dizia respeito à posição em que os jogadores atuavam. Muitos deles era, em uma partida, zagueiro, noutra goleiro e em seguida novamente zagueiro. Tivemos no próprio Palestra Itália uma situação semelhante, e com dois jogadores: Flosi e Olivieri.
Algo idêntico aconteceu com um dos principais médios-direitos de nossa história, Bertolini. O jogador, que se consagrou atuando pelo lado direito de nossa defesa, fez sua primeira partida pelo Verdão jogando completamente fora de sua posição original: no comando do ataque.
A aventura bem longe da defesa porém, durou só aquela partida. Na próxima vez que foi escalado pelo capitão Bianco, ele já atuou na lateral, ainda que a esquerda.
Confira a ficha técnica da estréia de Bertolini com a camisa alviverde:
05- Colombo.. troca de parque mais não garante sucesso

O ponta canhoto Colombo surgiu como uma fera nas categorias de base do Corinthians/SP. Assim que foi promovido ao time principal, no final dos anos 40, formou com Luizinho, conhecido como “Pequeno Polegar”, uma excepcional linha pela esquerda.
Todavia, o sucesso que alcançou seu colega não foi em sonho obtido por Colombo. Daí a decisão do jogador de trocar o parque São Jorge pelo Noroeste de Bauru/SP, onde então sim pôde demonstrar seu inquestionável bom futebol.
Foi também no Alfredo de Castilho que, no começo de 1956, o Palmeiras foi buscá-lo, mas não sem lhe imputar uma enorme responsabilidade: substituir Rodrigues Tatu, craque da posição que, brigado com a diretoria, transferiu-se para o Botafogo/RJ.
Colombo topou o desafio, e até que não foi mal enquanto vestiu o manto verde e branco. Afinal, foram 23 gols e dezenas de outras assistências em 77 partidas disputadas. Mas é claro que tal desempenho nem em sonho se comparou ao antigo dono da nossa camisa 11 e, também por isso, o jogador não teve o tempo necessário para render o que poderia.
Hoje aos 80 anos, Colombo está aposentado e vive na cidade de Praia Grande, litoral paulista.
Nome: José Colombo
Posição: Ponta-esquerda
Data e Local de Nascimento: 06/01/1930, em São Paulo/SP
Estreia: 04/03/1956 – Taubaté/SP 2 x 0 Palmeiras
Despedida: 06/10/1957 – Bandeirante de São Carlos/SP 1 x 6 Palmeiras
Jogos: 77
Gols: 23
Títulos Expressivo: Nenhum
Obs.: Esta seção será atualizada em 23/02/2010.
06- Toninho, o recordista..

O centroavante Toninho é o recordista de gols marcados pelo Palmeiras num mesmo jogo válido pelo Campeonato Brasileiro.
O grande artilheiro marcou quatro dos seis que o Verdão fez na goleada de 6 a 0 sobre Sampaio Correa/MA, no Pacaembu, em 27 de abril de 1978. Os outros dois gols palmeirenses naquele jogo foram do ponta-de-lança Escurinho.
Durante os três anos e meio em que defendeu a camisa alviverde, Toninho jogou 175 partidas e marcou 84 gols, o que o torna o 23º maior artilheiro de toda a nossa história.
07-Bicampeão Brasileiro

“Onde a Arena vai mal, um time no Nacional; e onde vai bem, um time também”.
Esta frase, dita em evidente tom jocoso no começo dos anos 70, espelha com exatidão o quanto a Política influenciava as decisões tomadas em relação ao futebol naqueles tempos de chumbo grosso. Aos mais jovens ou aos que já esqueceram, vale lembrar: Arena era a sigla da Aliança Renovadora Nacional, partido que comandava o País e aos qual pertenciam os militares que, à época, mandavam e desmandavam no Brasil.
Sob o pretexto de tornar o Campeonato Brasileiro cada vez mais abrangente, a CBD – Confederação Brasileira de Desportos, entidade que organizava (?) o torneio nacional – decidiu ampliar de 26 para 40 o número de times participantes na principal competição da bola tupiniquim. Resultado: presença de times inexpressivos, jogos quase que diariamente e, claro, um calendário que não suportou tantas partidas e, por isso, teve de ver o Brasileirão/1973 ser decidido somente em fevereiro de 1974.
Nem vamos perder tempo em tentar explicar o sistema de disputa, já que ele teve turno, returno e divisões distintas de chaves a cada etapa, sem que uma lógica pudesse ser vista. No que diz respeito ao Palmeiras, vale lembrar que nossa campanha foi excepcional no Primeiro Turno da Primeira Fase: em 19 partidas, foram 13 vitórias e seis empates. Ou seja: terminamos a etapa como o único dos 40 times a não perder um só jogo sequer. Somente no returno da etapa inicial é que o Verdão conheceu seus primeiros tropeços: foram três derrotas, um empate e cinco vitórias em nove jogos.
Dono da melhor campanha, o Palmeiras ficou no Grupo 1 na Segunda Fase do Brasileirão daquele ano, que começou somente em janeiro do ano seguinte. Com cinco vitórias e quatro empates em nove partidas, mais uma vez nossa fantástica equipe dava provas de ser a mais qualificada em busca do título que, para ela, significaria o bicampeonato. Assim, ao lado de Internacional/RS, São Paulo/SP e Cruzeiro/MG, o Verdão garantiu vaga no quadrangular final.
Hoje em dia, é comum a discussão entre aqueles que preferem uma competição com pontos corridos e os que defendem a tese de que todo torneio precisa ter ao menos uma partida final. O regulamento adotado no Campeonato Brasileiro/73, mais ou menos um meio termo entre as duas formas, poderia ser o fim desta polêmica. Afinal, além de justo – já que contou com a participação das quatro melhores equipes – também foi emocionante e, de quebra, ainda teve uma quase decisão.
O termo “quase” se explica: na última rodada do quadrangular final, apenas o Internacional/RS já não tinha condições de obter o título. Explicando: as quatro equipes se enfrentariam em turno único, e seria campeã a que mais pontos somasse após somente três jogos. Na primeira rodada, o Tricolor paulista saiu na frente, goleando o time gaúcho no Morumbi por 4 a 1. No Mineirão, o alviverde passou pela Raposa, mas penas por 1 a 0. A sorte do Palmeiras é que, na rodada seguinte, nosso rival foi derrotado no Mineirão por 1 a 0, enquanto numa partida disputadíssima conseguimos, de virada e quase no fim do jogo, vencer o Colorado: 2 a 1.
Fazendo as contas: o Palmeiras liderava o quadrangular final com 4 pontos, São Paulo/SP e Cruzeiro somavam 2 e o Inter/RS, nenhum. Assim, Verdão e Tricolor fariam na última rodada a final no Morumbi, cujo vencedor seria o grande campeão (nosso adversário tinha um saldo de gols superior ao nosso – dois, contra apenas um). A menos que...
A menos que o Cruzeiro/RS vencesse em Porto Alegre/RS. Mas não seria qualquer vitória: para levantar a taça, o time mineiro teria obrigatoriamente de torcer por uma vitória são-paulina e marcar quatro gols a mais. Se isso acontecesse, as três equipes terminariam empatadas com 4 pontos, mas o time mineiro levaria a taça pelo saldo de gols.
Então, todas as atenções se voltaram para o Choque-Rei. Nele, a situação era mais simples: com 4 pontos, o Palmeiras precisaria apenas de um simples empate para se sagrar bicampeão nacional. Já ao São Paulo, como dissemos acima, somente a vitória interessava.
Na verdade, os são-paulinos nem se importaram com outra partida que não fosse a deles. E, devemos admitir, jogou melhor do que o nosso time. Muito bem armado pelo competente José Poy e tendo em seu elenco estrelas como Valdir Peres, Chicão, Pedro Rocha e Mirandinha, nosso adversário pressionou durante quase toda a partida e criou um sem-número de claras oportunidades de gol.
Porém, do outro lado estava a melhor equipe do Brasil naquele momento, e que tinha em seu sistema defensivo craques absolutos como Dudu, Luís Pereira e, naquele clássico principalmente, Émerson Leão. Autor de várias e importantíssimas defesas, nosso camisa 1 foi o maior herói daquela fantástica conquista ao impedir que o 0 a 0 se alterasse no então ainda manual placar do Morumbi.
Confira a ficha técnica da histórica partida:
08- Verdão Sofre Mais Fatura O Bi

A rivalidade no futebol entre paulistas e cariocas vem de longe, mas tão de longe que às vezes parece que existia antes mesmo de Charles Miller chegar da Inglaterra com as duas bolas de couro sob os braços. Por isso, desde que o mundo é mundo, sempre se discutiu quem jogava melhor, se os bandeirantes ou os fluminenses.
A primeira vez em que isso foi colocado à prova aconteceu em 1926, quando os campeões de cada uma das federações - no caso, Palestra Itália e São Cristóvão - disputaram o título de Campeão Honorário do Brasil. Nem é preciso dizer que faturamos a taça.
Nos anos subsequentes o torneio não teve uma periodicidade constante - houve época em que foi disputado, noutra foi totalmente esquecido. Para nós, alviverdes, o que importa é que no começo de 1948 ele aconteceu e envolveu os campeões carioca (na época chamado de guanabarino) e paulista do ano anterior, respectivamente Vasco da Gama/RJ e Palmeiras.
Para se conhecer o campeão honorário do Brasil de 1947 foram necessárias três partidas, o que prova o total equilíbrio que existia entre as duas equipes. Também, pudera: se de um lado estavam feras como Oberdan, Fiúme, Lula, Bovio, Lima e Canhotinho, do outro Barbosa, Augusto, Eli, Danilo, Friaça, Ademir e Chico formavam a maravilhosa base do time que ficou conhecido como “Expresso da Vitória”. Se montassem um combinado, palmeirenses e vascaínos bem poderiam representar a Seleção Brasileira.
O primeiro clássico aconteceu em 7 de janeiro de 1948. Jogando no Pacaembu, o Verdão venceu por 2 a 1, gols de Lula e Bovio (Ismael descontou para o time carioca). Precisaríamos apenas de um empate da partida decisiva, em São Januário, mas o Vasco fez valer o fator casa e devolveu com juros a derrota: 3 a 1 (Bovio abriu o placar para o Palmeiras, mas Chico, Djalma e Friaça levaram o campeão carioca à vitória).
Foi necessária, então, uma terceira partida, porém antes desta o Palmeiras disputou um amistoso com o River Plate/ARG, no Pacaembu, e perdeu por 2 a 1. Os dois tropeços seguidos fizeram a diretoria demitir o técnico Oswaldo Brandão e, desta forma, quando chegou o dia da finalíssima do Torneio Honorário do Brasil nossa equipe já tinha Cláudio Cardoso no comando.
O jogo, claro, foi mais uma vez muito equilibrado. Mesmo atuando diante de sua torcida, os palmeirenses tiveram enormes dificuldades para se sobreporem aos vascaínos, e a maior prova disso foi o apertado placar - 2 a 1, com gols de Lima e Arturzinho para o Verdão e de Chico para a equipe cruzmaltina. Os minutos finais da partida foram de total pressão vascaína, mas Oberdan e em seguida Rodrigues conseguiram segurar os craques fluminenses e garantiram o bicampeonato do torneio para o Palmeiras.
Confira a ficha técnica do jogo em que garantimos a taça cuja foto ilustra esta seção.
09- Nossos Presidentes

A importância do nome de Dante Delmanto é tão grande para o Palestra Itália/Palmeiras que não seria possível resumi-la em apenas um único capítulo desta seção. Assim, dividamos a história deste renomado e inesquecível presidente em duas partes: a primeira falará de suas ações em nível pessoal e clubístico, e a segunda – que recordaremos no próximo mês – tratará das conquistas obtidas no futebol.
Dante Delmanto, advogado criminal, deputado e desportista, nasceu em 22 de fevereiro de 1907 na cidade de Botucatu/SP. Ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em 1924 e foi membro do Partido da Juventude, agremiação estudantil ligada ao Partido Democrático, pelo qual participou, como representante dos estudantes daquela Faculdade, da Campanha da Aliança Liberal, percorrendo o Norte e Nordeste e pregando os ideais da Revolução de 1930.
Quando ainda era acadêmico recebeu, por seus méritos, uma bolsa de estudos da Fundação Carnegie para cursar a Faculdade de Direito Internacional de Haia, na Holanda. Formando-se em 1929, abraçou a advocacia criminal. Com apenas 28 anos, elegeu-se deputado da Assembléia Constituinte do Estado de São Paulo pelo Partido Constitucionalista, sendo o parlamentar mais votado daquela eleição. Cassado em 1937 pelo golpe de Estado, retornou à advocacia criminal, da qual nunca mais se afastou.
Defendeu milhares de réus perante os Tribunais Brasileiros, inclusive perante o Tribunal de Segurança Nacional, durante a vigência do Estado Novo de 1937, e perante a Justiça Militar, após 1964. Recebeu homenagem da Ordem dos Advogados do Brasil da Câmara Municipal de São Paulo e publicou o livro "Defesas que Fiz no Júri".
Quando tinha apenas 25 anos, foi eleito o sucessor de Luís Eduardo Matarazzo e assumiu a presidência do Palmeiras, a qual ocupou de 4 de março de 1932 a 17 de novembro de 1934. Além de investir pesado no futebol e contratar importantes jogadores, Delmanto também teve uma efetiva participação em outras atividades. Foi sob sua gestão, por exemplo, que se construíram as arquibancadas do Estádio Palestra Itália, instalou-se o alambrado separando o gramado das partes sociais e populares (aliás, o primeiro do Brasil), ampliou-se a praça esportiva para que no clube pudessem ser praticados esportes como atletismo, natação, tênis e tiro ao alvo, iniciou-se a construção das quadras de tênis e do parque infantil e, também, forma plantadas as primeiras árvores (daí a expressão outrora utilizada pela Imprensa: “as alamedas do Parque Antártica”), entre outras.
Especificamente no futebol, é importante ressaltar que, ao contrário de algumas fortes correntes dentro do clube, o presidente Dante Delmanto defendia a adoção do profissionalismo e foi um dos que mais lutaram pela implantação deste sistema dentro do Palestra Itália. Sua posição, ver-se-ia pouco depois, estava correta, já que o time principal faturou importantíssimos títulos sob sua gestão.
E será justamente sobre isso que falaremos em nosso próximo encontro.
10/02/10 18h00m - Dante Delmanto: nosso único tri foi com ele - Parte I
10/01/10 05h00m - Luís Eduardo Matarazzo - Um presidente de arquibancada
10/12/09 05h00m - Giuseppe Perrone - O presidente do bi
10/11/09 05h00m - Francisco de Vivo: o presidente supercampeão – Parte IV (Final)
10/10/09 10h00m - Francisco de Vivo: o presidente supercampeão - Parte III
10/09/09 19h00m - Francisco de Vivo: o presidente supercampeão - Parte II
10/08/09 05h00m - Francisco de Vivo: o presidente supercampeão - Parte I
10/07/09 05h00m - David Pichetti: nosso estádio começou com ele
10/06/09 18h00m - Menotti Falchi: o primeiro campeão – Parte II (Final)
10/05/09 05h00m - Menotti Falchi: o primeiro presidente da casa - Parte I
10/04/09 00h05m - Valentino Sola: tão efêmero quanto importante
10/03/09 05h29m - Güido Farti: tino empresarial, criatividade e pulso firme – Parte III (Final)
10/02/09 05h00m - Güido Farti: tino empresarial, criatividade e pulso firme - Parte II
10/01/09 05h00m - Güido Farti: tino empresarial, criatividade e pulso firme - Parte I
10/12/08 05h00m - Ludovico Bacchini: o presidente do Paulistão
10/11/08 05h00m - Leonardo Pareto: sem lenço, sem documento. E sem dinheiro também.
10/10/08 10h00m - Augusto Vaccaro: o amor à Itália falou mais alto
09/09/08 00h00m - Ezequiel Simone: do patrocínio à "ditadura"
10 Nossos Titulos
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1 Mundial Interclubes: 1951
1 Torneio do México: 1959
1 Torneio Quadrangular de Lima (Peru): 1962
1 Torneio Cidade de Manizales (Colômbia): 1962
1 Torneio de Firenze (Itália): 1963
1 Torneio Pentagonal de Guadalajara (México): 1963
1 Copa IV Centenário do Rio de Janeiro (Brasil): 1965
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Titulos Nacionais
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3 Títulos Honorários Campeão do Brasil: 1926, 1933 e 1947
1 Taça de Porto Alegre-RS: 1936
1 Torneio do Paraná: 1938
1 Torneio Quadrangular de Fortaleza: 1938
1 Torneio de Inauguração do Estádio do Pacaembu: 1940
1 Taça Belo Horizonte-MG: 1945
1 Troféu Rio Grande do Sul: 1946
1 Torneio Quadrangular de Recife-PE: 1955
2 Taças Brasil: 1960 e 1967
2 Torneio Roberto Gomes Pedroza: (1967 e 1969)
4 Campeonatos Brasileiros da 1ª Divisão: 1972, 1973, 1993 e 1994
1 Torneio do Café (Londrina-PR): 1984
1 Taça Governador de Goiás: 1997
1 Taça Maria Quitéria: 1997
1 Copa do Brasil: 1998
1 Copa dos Campeões: 2000
1 Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão: 2003
I Torneio Internacional Quadrangular João Havelange: 1966
1 Copa Brasil-Japão: 1967
3 Torneios Ramón de Carranza: 1969, 1974 e 1975
1 Copa da Grécia: 1970
1 Torneio de Mar del Plata (Argentina e Uruguai): 1972
1 Copa Kirin (Japão): 1978
2 Euro-American Cups’s: 1991 e 1996
1 Copa Brasil-Itália: 1994
1 Torneio Lev Yashin (Rússia): 1994
1 Torneio Naranja (Espanha): 1997
1 Copa Mercosul: 1998
1 Copa Libertadores da América: 1999
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Titulos interestaduais
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5 Torneios Rio-São Paulo: 1933, 1951, 1965, 1993 e 2000
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Titulos Estaduais
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22 Campeonatos Paulistas: 1920, 1926, 1927, 1932, 1933, 1934, 1936, 1940, 1942, 1944, 1947, 1950, 1959, 1963, 1966, 1972, 1974, 1976, 1993, 1994, 1996 e 2008
4 Taças Competência: 1920, 1926, 1927 e 1932
2 Campeonatos Paulistas Extras: 1926 e 1938
7 Torneios Início do Campeonato Paulista: 1927, 1930, 1935, 1939, 1942, 1946 e 1969
6 Taças dos Invictos: 1933, 1934, 1972, 1973, 1974 e 1989
1 Troféu Campeoníssimo: 1942
3 Taças Piratininga: 1963, 1965 e 1961
1 Torneio Gov. Laudo Natel: 1972
2 Torneios Roberto Ugolini: 1959 e 1960
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Titulos Municipais
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4 Taças Cidade de São Paulo: 1945, 1946, 1950 e 1951
11- Nossos Treinadores

Felipão
Narizes torcidos e taças levantadas
Todas as grandes equipes brasileiras têm uma característica em comum: por mais que passe o tempo ou mudem seus jogadores, o estilo de jogo segue mais ou menos o mesmo. O Palmeiras, por exemplo, é reconhecido como um time que sempre jogou um futebol clássico, plástico e eficaz, isso desde muito antes do surgimento da Primeira Academia como também depois que teve fim a Segunda Academia.
Porém, houve um período em nossa história que fugiu a esta regra mas, ainda assim, continuou sendo vencedor. Foram os três anos em que o Verdão teve em seu comando Luiz Felipe Scolari, um treinador de estilo durão, de equipes que jogam feio e que raramente vencem sem uma grande dose de sacrifício e sofrimento. Foi com Felipão que o palmeirense, após um bom tempo, voltou a sentir aquele aperto no coração, aquele nó na garganta no fim de cada jogo - mas, também, a ficar aliviado após o apito final.
Vencedor no Grêmio/RS e protagonista de inesquecíveis batalhas contra o próprio Palmeiras, Scolari não era bem visto por torcedores e conselheiros. Quando chegou ao clube - em 1997, após uma rápida passagem pelo futebol japonês - muitos lhe torceram o nariz. Antipático e às vezes arrogante enquanto nosso adversário, precisou de certo tempo até convencer os palmeirenses que, embora não abrisse mão de sua filosofia de trabalho, havia chegado para fazer o Verdão voltar a vencer.
No primeiro ano, mesmo diante da conquista dos pouco expressivos torneios Maria Quitéria e Naranja, o que ficou marcado foi a ótima campanha no Brasileirão, quando chegou à final contra o ótimo Vasco da Gama/RJ, de Edmundo e Evair. A perda da taça foi sentida, claro, mas vale lembrar que a equipe carioca, mesmo sendo muito superior, não nos conseguiu vencer, e só garantiu as faixas após os dois empates sem gols devido à melhor campanha em todo o torneio.
Em 1998, porém, o Palmeiras voltaria a ser campeão e Felipão levantaria seus primeiros e significativos troféus. As conquistas da Copa do Brasil e da Copa Mercosul tornaram o alviverde novamente favorito às competições que disputava. No ano seguinte, o instante mágico da passagem do treinador pelo Palestra Itália: a conquista - suada, claro - da Copa Libertadores da América. Um título até então inédito e sonhado por todos os torcedores.
A partir de então, Luiz Felipe ganhou a confiança de todos os palmeirenses, mesmo daqueles que dele ainda não gostavam. Se tivesse obtido o título mundial no fim daquela temporada, ele estaria ainda mais eternizado na história do clube, e certamente haveria quem o classificaria como o melhor treinador de toda a nossa história. Mas, como sabemos, ficamos apenas com o vice.
O último ano de Felipão no Palmeiras começou muito bem, obrigado. A conquista do pentacampeonato do Torneio Rio-São Paulo, com direito à goleada de 4 a 0 sobre o Vasco/RJ na finalíssima, devolveu o moral ao nosso time e, de quebra, nos garantiu a vaga na Copa dos Campeões. Antes dela, mais um vice-campeonato enriqueceu o currículo do técnico: o da Libertadores/2000.
Após a perda desta taça e da eliminação da Copa do Brasil, Luiz Felipe Scolari decidiu deixar o clube. Seu contrato estava mesmo no fim e ele, claro, já sabia que a parceria com a Parmalat, responsável pela aquisição de inúmeros craques, também terminaria pouco depois. Sob sua orientação, o auxiliar-técnico Flávio Teixeira, o Murtosa, dirigiu uma equipe totalmente reformulada e sem estrelas mas que, mesmo assim, ficou com o título da Copa dos Campeões daquele ano, o que nos valeu a vaga para mais uma Libertadores.
Depois de uma passagem pelo Cruzeiro/MG, Felipão aceitou o desafio de dirigir a Seleção Brasileira, que corria o risco de não se classificar à Copa do Mundo de 2002. Ele não só levou o Brasil a mais um Mundial como também, de quebra, faturou o pentacampeonato de forma exemplar: sete vitórias em sete partidas. Hoje, Scolari é o treinador da seleção portuguesa, com a qual terminou na quarta colocação na Copa da Alemanha, no ano passado.
Se um dia retornar ao Palmeiras, como já prometeu, é certo que Felipão não terá mais pela frente nenhum nariz torcido.
FICHA TÉCNICA
Nome: Luiz Felipe Scolari
Data e Local de Nascimento - 09/11/1948, em Passo Fundo/RS
Estréia:
22/06/1997 - Caldas/GO 0 x 2 Palmeiras
Despedida:
27/06/2000 - Palmeiras 2 x 3 São Paulo/SP
Jogos: 254
Vitórias: 127
Empates: 64
Derrotas: 63
Gols marcados sob seu comando: 514
Gols sofridos sob seu comando: 338
Títulos: Copa do Brasil/98, Copa Mercosul/98, Libertadores/99, Rio-São Paulo/00
Atletas que mais escalou: Júnior (225), Rogério (222), Galeano (210), Oséas (170), Zinho (162), Roque Júnior (161), Cléber (139), Paulo Nunes (133), Arce (128), Marcos (121), Euller (114)
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Wandreley Luxemburgo O Principe do Nosso verdão
Existe uma grande polêmica no Palmeiras: afinal, qual foi o melhor técnico de toda a nossa história?
Ainda que existam aqueles que, como eu, defendam que o lendário Oswaldo Brandão até aqui segue insuperável, outros preferem Luiz Felipe Scolari e há, também, os que cravam: o melhor dentre todos os treinadores do Palmeiras foi Wanderley Luxemburgo.
Luxa, como é comumente chamado, teve até hoje quatro passagens pelo Verdão, e apesar de toda a polêmica que sempre o acompanha não conquistou título em apenas uma delas. Abaixo, você confere um resumo de cada uma das vezes em que ele esteve no comando da nossa equipe.
1ª passagem: de 20/04/1993 e 18/12/1994
Sem dúvida alguma, a mais rica e importante deste treinador em nosso clube. Assumiu o comando em meio à disputa do Campeonato Paulista e, desta forma, assumiu o comando de uma equipe que entrava naquele ano em sua 16ª temporada sem a conquista de um título expressivo.
Contado com o apoio financeiro e gerencial da Parmalat, ele montou um time inesquecível, que contava com nomes como Antônio Carlos, Roberto Carlos, Zinho, Edmundo, Mazinho, Edílson, Cléber e outros que, aliados a Sérgio, César Sampaio, Evair e Amaral, que pertenciam ao clube e também fizeram parte da equipe.
Além de faturar o título paulista de 1993 e colocar um fim ao longo jejum, Luxa obteve ainda a taça do Torneio Rio-São Paulo e do Campeonato Brasileiro daquele ano. Não contente, repetiu a dose em 1994, ganhando novamente os campeonatos estadual e nacional.
Não à toa, alguns chegaram a chamar aquele time de “Terceira Academia”.
2ª passagem: de 05/11/1995 a 01/12/1996
Depois de pedir demissão para realizar o sonho de dirigir seu clube de coração o Flamengo/RJ, Wanderley quebrou a cara: perdeu ao título carioca para o grande rival Fluminense e foi demitido. A solução foi dar um tempo em sua escalada profissional e assumir o pequeno Paraná Clube, em 1995.
No fim daquele ano, Palmeiras e Parmalat mais uma vez apostaram em seu talento e o trouxeram de volta. Resultado: à frente de uma equipe que tinha nomes como Velloso, Rivaldo, Djalminha, Cafu, Cleber, Júnior, Luizão, Flávio Conceição e outros, ele fez com que nossa equipe cumprisse uma trajetória histórica no Paulistão: foram 27 vitórias, dois empates e apenas uma derrota em 30 partidas, o que transformou tal campanha na melhor de toda a história do profissionalismo em nosso Estado. O ataque daquele Dream Team, que marcou 102 gols, foi outro fator de destaque.
Ao final daquela temporada, sem conseguir o título do Campeonato Brasileiro, Luxa mais uma vez decidiu deixar o Verdão.
3ª passagem: de 13/01/2002 a 11/08/2002
Cinco anos após ter dirigido o Palmeiras pela última vez, Wanderley Luxemburgo retornou.
Dessa vez, porém, o time era infinitamente mais fraco do que os anteriores. Mesmo tendo à sua disposição jogadores de grande qualidade, como Marcos, Arce e Alex, ele não cumpriu campanhas satisfatórias no Campeonato Paulista e, principalmente, na Copa do Brasil, na qual conseguiu ser eliminado ainda na Primeira Fase pelo pra lá de inexpressivo A. S. Arapiraquense/AL, mais conhecido como ASA.
Depois de perder, também, o Torneio Rio-São Paulo e o Super Paulistão, Luxa pediu demissão logo após a primeira partida do Brasileirão e seguiu para o Cruzeiro/MG. Antes, porém, causou um enorme problema ao dispensar, de uma só vez, quatro volantes – Galeano, Magrão, Claudecir e Fernando, tendo sido este o principal motivo da queda do Verdão para a Série B de 2003.
4ª passagem: de 17/01/2008 a 20/06/2009
Foi com enorme desconfiança que a torcida palmeirense recebeu a notícia de que Wanderley Luxemburgo estava de volta ao Verdão. Além dos problemas causados na passagem anterior, o treinador já não desfrutava de tanto prestígio quanto antes e, também, já dividia seu tempo entre treinar equipes, dar aulas em seu instituto, palestras em eventos e o famoso “manager”, do qual tanto se orgulha de ser.
Porém, mais uma vez Luxa deu a volta por cima. Afinal, foi sob seu comando que o Palmeiras, após 12 anos, voltou a faturar um título paulista. Graças a seu trabalho e, também, ao talento de jogadores como Marcos, Henrique, Pierre, Diego Souza e, principalmente, Kléber e Valdivia, o Palmeiras eliminou o São Paulo nas semifinais e massacrou a Ponte Preta na decisão.
Mesmo sem ter obtido sucesso na Copa do Brasil e no Brasileirão de 2008, ele foi mantido no comando para a temporada seguinte, na qual não passou das semifinais no Paulistão e das quartas-de-final da Libertadores. Ainda assim, a confiança em seu trabalho permaneceu intacta até que um evento inesperado mudou totalmente a situação.
Após ter a palavra dos dirigentes da Traffic de que Keirrison não seria negociado antes da Copa do Mundo, Luxa diversas vezes bancou esta informação perante a Imprensa. Quando o atleta, de uma hora para outra, foi vendido ao Barcelona/ESP, o técnico sentiu-se traído e humilhado, e assim criticou publicamente a transação.
Em uma decisão arbitrária, Luiz Gonzaga Belluzzo o demitiu sem, no entanto, assumir que tal decisão fora tomada por pressão da empresa.
FICHA TÉCNICA
Nome: Wanderley Luxemburgo da Silva
Data e Local de Nascimento: 10/05/1952, em Nova Iguaçu/RJ
Estreia: 20/04/1993 – Palmeiras 1 x 0 Vitória/BA
Despedida: 20/06/2009 – Atlético/PR 2 x 2 Palmeiras
Jogos: 367
Vitórias: 222
Empates: 80
Derrotas: 65
Gols marcados sob seu comando: 732
Gols sofridos sob seu comando: 342
Atletas que mais escalou: Zinho (178), Cléber (165), Amaral (142), Marcos (127), Roberto Carlos (122), César Sampaio (113), Velloso (101)
Títulos Expressivos: Paulistão/1993/94/96/08, Brasileirão/1993/94, Torn. Rio-São Paulo/1993
12- Que Saudades de Vocês
Quem diz que zagueiro bom precisa dar pontapé certamente não viu Antônio Carlos jogar. Domo de um estilo técnico, este jogador era incapaz de uma jogada mais desleal. Além disso, raríssimas foram as vezes em que ele afastou a bola de sua área com um chutão daqueles dignos dos antigos becões de fazenda.
Daí todo carinho que Antônio Carlos desfrutou por parte da torcida do Palmeiras. E olha que quando chegou, no comecinho de 2003, ainda carregava a imagem de um ídolo do São Paulo/SP, clube através do qual se tornou um jogador conhecido internacionalmente.
Mas quando trocou o pequeno Albacete espanhol pelo Verdão, o zagueiro rapidamente provou que vestiria a nossa camisa com respeito e dedicação. Primeiro, com Tonhão e Edinho Baiano, ajudou o Verdão a sair da fila ao faturar o Campeonato Paulista; depois, já ao lado de Cléber, faturou o Brasileirão daquele ano e vários outros títulos. Aliás, a dupla que formou com o popular Clebão tornou-se uma das melhores de toda a história do nosso clube.
Tanto sucesso no Palmeiras o levou novamente à Europa em 1996, mas então para defender a tradicional e campeã Roma, da Itália.
No ano passado, Antônio Carlos disputou seus últimos jogos como atleta defendendo o Santos/SP e, no começo de dezembro, deu início à carreira de dirigente esportivo.
Nome: Antônio Carlos Zago
Data e Local de Nascimento: 18.05.1969, em Presidente Prudente/SP
Posição: Zagueiro
Estréia: 27/01/1993 – Palmeiras 2 x 1 Marília/SP
Despedida: 03/12/1995 – Palmeiras 1 x 2 Portuguesa Desp./SP
Jogos: 190
Gols: 08
Títulos: Paulista/93, Rio-São Paulo/93, Brasileiro/93, Paulista/94, Brasileiro/94, Copa Brasil/Itália/94, Torneio Lev Yashin/94
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Mais um que a história esqueceu
Todo mundo sabe que o brasileiro é um povo sem memória, e isso fica bem claro no futebol. Inúmeros são os jogadores, em todos os clubes, que simplesmente pelo fato de terem brilhado numa época em que eram poucos ou quase nenhum os registros de imagens hoje estão quase ou mesmo completamente esquecidos.
Um bom exemplo disso é o meia Américo Murolo. Depois de surgir no Jabaquara de Santos/SP e viver grande fase no Linense/SP, este meia com pinta de centroavante chegou ao Verdão carregando fama de craque. E a ela fez jus: durante os mais de quatro anos em que defendeu a nossa camisa, transformou-se numa das principais armas ofensivas do time. E a grande prova disso foram os mais de 100 gols que marcou e os títulos que ajudou a ganhar – principalmente o do Supercampeonato Paulista de 1959, pelo qual foi um dos maiores responsáveis.
Diante de tal desempenho, causou muito espanto quando a diretoria, em fins de 1962, optou por aceitar uma proposta do Guarani/SP e lhe vendeu seu passe. Dias mais tarde, porém, a resposta todos conheceram: num esforço hercúleo, o Verdão havia conseguido tirar da Portuguesa Desp./SP o extraordinário Servílio, que viria a ser um dos maiores jogadores da história deste País.
Américo Murolo seguiu com sucesso em Campinas/SP e, anos mais tarde, jogou também com destaque no Flamengo/RJ. Hoje, aposentado e com 75 anos, vive com a família na cidade de Bragança Paulista/SP.
E se, como dissemos no primeiro parágrafo deste texto, a falta de memória é uma das características do futebol brasileiro, este jornalista humildemente se orgulha de, neste espaço, ter mais uma vez feito justiça a um grande craque do passado.
Ficha Técnica
NOME: Américo Murolo
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO: 28/04/1932, em São Paulo-SP
POSIÇÃO: Meia
ESTRÉIA: 07/09/58 – Jaboticabal/SP x 1 Palmeiras
DESPEDIDA: 09/12/62 – Corinthians/SP 3 x 0 Palmeiras
JOGOS: 177
GOLS: 104
TÍTULOS: Campeonato Paulista/59, Torneio do México/59, Torneio Roberto Ugolini/59, Taça Brasil/60, Torneio Roberto Ugolini/60, Torneio Quadrangular de Lima (Peru)/62, Torneio Cidade de Manizales (Colômbia)/62
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Um craque como antigamente
Quando chegou ao Palmeiras, com apenas 19 anos, Alex já era uma grande promessa. Afinal, brilhara no Coritiba/PR e chamara a atenção com um futebol clássico, refinado e de muita habilidade, muito comum no passado mas então já raro. Aliás, foram exatamente tais qualidades que o elevaram em tempo recorde à condição de ídolo de toda a torcida.
Mesmo às vezes acusado de sonolento, Alex raramente passava mais do que dois ou três jogos sem ter uma grande atuação. Muitas delas, aliás, ficaram para a história, mas uma em especial o torcedor palmeirense guarda no coração: a da semifinal da Copa Libertadores da América, no Palestra, diante do River Plate/ARG, quando o camisa 10 fez dois dos três gols da vitória por 3 a 0, foi o principal responsável pela classificação à grande final do torneio e relembrou as mágicas atuações de um outro camisa 10 do time, Ademir da Guia.
Alex já defendeu o Palmeiras em três oportunidades. Na mais recente, em 2002, viveu outro momento mágico. Numa goleada por 4 a 2 sobre o São Paulo/SP, no Morumbi, marcou um gol antológico: ao receber na entra da área, deu dois chapéus seguidos nos zagueiros são-paulinos e, na saída do goleiro Rogério Ceni, tocou por cobertura. O lance foi tão fantástico que ganhou mais do que uma placa: um outdoor foi colocado em frente à Academia de Futebol, numa clara provocação à vítima daquela noite, cujo CT se encontra ao lado do palmeirense.
O excelente meia, maior artilheiro do Verdão na Libertadores ao lado de Tupãzinho, com 11 gols, hoje atua no futebol turco mas ensaia um retorno ao Brasil. E é claro que o Palmeiras já está todo aceso outra vez.
FICHA TÉCNICA
NOME: Alexsandro de Souza
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO:
14.09.1977, em Curitiba/PR
POSIÇÃO: Meia
ESTRÉIA: 05.07.1997
Palmeiras 4 x 1 Fluminense/RJ
DESPEDIDA: 27.04.2002
Palmeiras 2 x 2 São Paulo/SP
JOGOS: 242
GOLS: 80
TÍTULOS: Torneio Naranja (Espanha)/97, Copa Mercosul/98, Copa do Brasil/98, Copa Libertadores da América/99, Torneio Rio-São Paulo/2000
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Seu nome deveria ser “Gol”
Se há algo que todos nós, palmeirenses, deveríamos lamentar é o fato de Artime ter jogado apenas um ano no Verdão. Se nos tivesse brindado com sua presença em nossa equipe por mais tempo, a Segunda Academia - que surgiria pouco depois de sua saída - teria sido ainda mais vencedora, com toda a certeza.
A facilidade com que este argentino marcava gols era algo espantoso. Já nos argentinos River Plate e Independiente, seus primeiros clubes como profissional, ele mostrava todo o seu potencial. Ídolo em seu país, disputou a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, e marcou três dos cinco gols que Argentina fez em quatro partidas.
Ao Parque Antártica o jogador chegou em 1968. Aqui, conseguiu viver uma das melhores fases de sua carreira, marcando 49 gols em apenas 57 jogos. Sua mais completa atuação se deu em 16 de janeiro do ano seguinte, numa partida contra o Rapid Viena/ÁUS pelo Torneio de Mar del Plata: ele fez todos os cinco gols do Verdão na goleada por 5 a 1 ! Até hoje, além dele apenas outros sete jogadores conseguiram marcar tantos gols numa só partida: Osses, em 1930; Heitor, em 1926, 1927 e 1930; Caxambu, em 1943; Canhotinho, em 1951; Mazzola, em 1957; Dario, em 1965; e Cardoso, em 1969.
Apesar de todo o sucesso, Artime deixou o Palmeiras no meio daquela temporada - uma irrecusável proposta do Nacional/URU seduziu o jogador que, além do dinheiro, vislumbrou a chance de ficar mais próximo da sua família.
E lá se foi o artilheiro encantar outra torcida...
Ficha Técnica no Verdão
Nome: Luís Artime
Data e local de nascimento: 25 de novembro de 1941, em Mendoza/ARG
Posição: Atacante
Estréia:
14.07.68 - Palmeiras 4 x 0 Independiente/ARG
Despedida:
06.07.69 - Maringá-PR 0 x 1 Palmeiras
Jogos: 57
Gols: 49
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Divino pela própria natureza
Ele tinha tudo para ser apenas o filho de Domingos, jogador que só poderia mesmo ter o nome do dia consagrado ao futebol. Mas ele nasceu para superar o pai. Para defini-lo, talvez seja necessário só um adjetivo: divino. Mas Ademir da Guia não foi apenas o melhor jogador da história do Palmeiras: ele é o próprio Palmeiras, tanta parte faz da história deste clube. Vê-lo jogar, para os que tal sorte tiveram, foi um prazer comparável apenas ao seu próprio talento.
Poucos sabem, porém, que Ademir nem sempre foi uma unanimidade. Aos 19 anos, recém-chegado do pequeno Bangu/RJ, aquele menino já tão tímido e calado deixou que pujança da Cidade e a paixão da torcida o intimidassem e o calassem ainda mais. Daí o apelido que ganhou em seus primeiros meses de Parque Antártica: Bonde. Sim, cometeram o hediondo crime de comparar Ademir da Guia ao meio de transporte que, no começo dos anos 60, já se tornava obsoleto. Mas bastaram algumas partidas para que o menino provasse que tinha, como dissera Armando Nogueira, nome e sobrenome de craque.
Tempo, aliás, foi o que não faltou a Ademir: foram 16 anos, um mês e um dia de serviços prestados ao clube, desde 17 de agosto de 1961, quando treinou pela primeira vez no Palestra Itália, até 18 de setembro de 1977, dia em que vestiu pela última vez em jogos oficiais a camisa do Verdão.
Praticamente não vi Ademir jogar, e isso dói. Mas, para escrever sobre ele, talvez nem seja preciso ter acompanhado suas passadas vagarosas e simultaneamente mortais, sua falsa frieza em campo, seus quase 90% de acerto nos passes, segundo calculou um dia Oswaldo Brandão. Como disse certa vez o poeta João Cabral de Mello Neto, Ademir "impunha com seu jogo o ritmo do chumbo e o peso da lesma, da câmera lenta, do andar na areia, do homem dentro do pesadelo, entorpecendo e então atando o mais irrequieto adversário".
Ademir da Guia é divino pela própria natureza e o site Ponto Verde, assim como qualquer um dos mais de 15 milhões de palmeirenses espalhados pelos quatro cantos do mundo, jamais o esquecerá.
Ficha Técnica no Verdão
NOME: Ademir da Guia
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO:
3 de abril de 1942, no Rio de Janeiro-RJ
POSIÇÃO: Meia
ESTRÉIA:
08.04.62 - Paulista de Santa Bárbara D'Oeste/SP 2 x 4 Palmeiras
DESPEDIDA:
22.01.84 - Comb. Amigos Ademir da Guia 2 x 1 Palmeiras
JOGOS: 903
GOLS: 158
TÍTULOS: Campeonato Paulista/63, Taça Piratininga/63, Torneio de Firenze (Itália)/63, Torneio de Guadalajara/63 (México), Torneio Rio-São Paulo/65, Torneio IV Centenário do Rio de Janeiro-RJ/65, Taça Piratininga/65, Campeonato Paulista/66, Torneio Internacional Quadrangular João Havelange/66, Taça Piratininga/66, Torneio Roberto Gomes Pedroza/67, Taça Brasil/67, Taça Brasil-Japão/67, Torneio Roberto Gomes Pedroza/69, Torneio Ramón de Carranza (Espanha)/69, Campeão da Copa da Grécia/70, Campeonato Brasileiro/72, Campeonato Paulista/72, Torneio de Mar del Plata (Argentina e Uruguai)/72, Campeonato Brasileiro/73, Campeonato Paulista/74, Torneio Ramón de Carranza (Espanha)/74, Torneio Ramón de Carranza (Espanha)/75, Campeão Paulista/76
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Bom até no banco
O médio central Amílcar Barbuy tinha tudo para não estar nesta seção. Afinal, trata-se de um dos maiores ídolos da história do nosso maior rival, o Corinthians-MSI/SP. Porém, dois fatores foram fundamentais para que este craque também escrevesse seu nome em nossa história: ele participou da primeira partida disputada pelo nosso clube e, também, quando trocou o Parque São Jorge pelo Parque Antarctica, defendeu nossa camisa com dedicação.
Amílcar poderia, como dissemos acima, ter iniciado sua trajetória no alviverde bem antes. Ele foi um dos jogadores emprestados pelo alvinegro no histórico e glorioso 24 de janeiro de 1915, quando vencemos o Savóia de Votorantim/SP por 2 a 0. Mas, embora tenha participado também do nosso terceiro jogo - derrota para o Santos/SP por 7 a 0 -, preferiu retornar ao seu clube. Por isso, somente se tornou um dos nossos nove anos mais tarde.
Líder nato, Amílcar assumiu o comando da equipe em 115 partidas, já que naquela época o capitão do time era também o seu treinador. Por isso, além dos títulos que detém como atleta, consta em seu currículo também uma conquista como treinador, a do Campeonato Paulista de 1926.
Ficha Técnica no Verdão
NOME: Amílcar Barbuy
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO:
29 de abril de 1893, em Rio das Pedras-SP
DATA E LOCAL DE FALECIMENTO:
24 de agosto de 1965, em São Paulo-SP
POSIÇÃO: Médio Central
ESTRÉIA:
24.01.15 - Savóia de Votorantim-SP 0 x 2 Palmeiras
DESPEDIDA:
08.06.30 - Palestra Itália 1 x 1 Germânia-SP
JOGOS: 103
GOLS: 16
TÍTULOS: Campeonato Paulista/26, Campeonato Paulista Extra/26, Campeonato Honorário do Brasil/26, Campeonato Paulista/27 (como jogador). Campeonato Paulista/26 (como técnico)
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Um coadjuvante de luxo na zaga
Durante muitos anos, a dupla de zaga titular do Palmeiras foi formada por Luís Pereira e Alfredo Mostarda. A função deste quarto-zagueiro, embora considerado o coadjuvante do setor, era importantíssima: além de segurar as pontas na defesa quando o talentoso companheiro se fazia de centroavante e partia com tudo ao ataque, ainda por cima era o encarregado de parar as jogadas de contra-ataque dos adversários.
Mas, quando se joga ao lado de um gênio, adjetivo que tranqüilamente se aplica ao inesquecível Chevrolet, acaba-se tocado pelo mesmo dom. E assim lá foi Mostarda para a Copa do Mundo da Alemanha, em 1974. Reserva de Marinho Peres, atuou apenas na disputa pelo terceiro lugar, contra a Polônia, ironicamente no lugar de seu amigo e colega de clube, expulso na semifinal contra a Holanda.
Nosso homenageado da vez jogava em pequenos clubes da Penha, bairro da Zona Lesta de São Paulo/SP onde nasceu. Aos 15 anos, foi para a equipe comandada pelo ex-ponta Julinho Botelho e, num amistoso contra o Juvenil do Palmeiras, jogou tão bem que acabou convidado pelo então treinador palmeirense, Mário Travaglini, a ingressar no Sub-17 do Verdão.
Muito jovem, estreou no time principal cinco anos mais tarde, porém rapidamente começou uma série de empréstimos: Cruzeiro/RS, Marcílio Dias/SC, Nacional/AM, América/SP. Retornou ao Verdão aos 26 anos para formar, como dissemos acima, a mais importante dupla de zaga de nossa história, eternizada com as inúmeras conquistas da chamada Segunda Academia.
Em 1976, às vésperas de completar 30 anos, teve rápida porém marcante passagem pelo Coritiba/PR (no qual se sagrou campeão paranaense) e, no ano seguinte, pelo Santos/SP, retornando ao Palestra Itália em 1978 a tempo de ser vice-campeão brasileiro. No começo de 1979, já aos 33 anos, Mostarda ganhou o que se chamava na época de passe livre e foi defender o Taubaté/SP, onde atuou por três anos.
Daí em diante, deu início à sua carreira de treinador e, hoje, dá aulas de futebol numa escola mantida pela Prefeitura de São Paulo/SP.
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Fera no nome e na fome de gols
Não tivesse sido contemporâneo de gênios como César Maluco e Tupãzinho, certamente Ademar Pantera teria feito muito mais gols e ganhado bem mais títulos pelo Palmeiras. Porém, disputando a posição ora com um, ora com outro, este sensacional centroavante acabou sendo prejudicado e, embora tenha marcado 82 vezes pelo nosso clube, não tem por parte de alguns o devido reconhecimento.
Ademar ganhou o apelido que o acompanhou durante toda a carreira ainda na Prudentina/SP, clube que o revelou, devido à impetuosidade com que sempre partiu em busca dos gols. Se dentro de campo era mesmo uma fera, fora dele tratava-se de dócil pessoa, afeita a muitos amigos e também às noitadas. Por causa disso, foi emprestado ao Flamengo/RJ em 1967 e, assim, perdeu a chance de faturar o primeiro título do torneio Roberto Gomes Pedroza ganho pelo Verdão.
Mas nem tudo lhe foi ruim no Rio de Janeiro/RJ: afinal, tornou-se artilheiro daquela mesma competição ao lado do palmeirense César. Aliás, terminar um torneio na condição de seu máximo goleador era algo comum a Pantera: em 1965, esteve nesta condição ao marcar 14 gols no Torneio Rio-São Paulo, do qual foi também campeão. Pouco depois, fraturou a perna durante um amistoso com o Botafogo/SP após se chocar com Baldocchi, que anos mais tarde se tornaria um zagueiro palmeirense, e ficou três meses afastado dos gramados.
Em abril de 1968, com César Maluco cada vez provando mais o seu valor e sua facilidade para ser artilheiro, Pantera foi negociado em definitivo com o Fluminense/RJ, depois jogou também no Coritiba/PR e no Uberaba/MG, mas nunca mais foi o mesmo de antes.
Após encerrar a carreira, Ademar tornou-se motorista de táxi em São Paulo/SP, mas aos poucos os primeiros sinais da uma rara doença degenerativa nos músculos começaram a aparecer. O grande comandante de ataque morreu, com apenas 60 anos, pobre e quase esquecido numa casa simples de Pirituba, Zona Oeste de São Paulo/SP.
Ficha Técnica no Verdão
Nome: Ademar Miranda Júnior
Data e Local de Nascimento: 31/10/1941, em São Paulo/SP
Data e Local de Falecimento: 30/11/2001, em São Paulo/SP
Posição: Centroavante
Estréia: 03/05/1964 - Palmeiras 3 x 4 Botafogo/RJ
Despedida: 10/04/1968 - Palmeiras 2 x 3 Portuguesa Desp./SP
Jogos: 133
Gols: 82
TÍTULOS: Rio-São Paulo/65, Torn. IV Centenário Rio de Janeiro-RJ/65, Paulista/66, Torn. Intern. João Havelange/66
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Baixinho bom era o nosso
Não é de hoje que baixinhos fazem sucesso no futebol. Aliás, o primeiro deles é bem provável que tenha sido palmeirense.
O meia Achilles, destaque do Verdão no começo dos ano 50, poderia até ter sido centroavante, e não meia, diante de tanta facilidade para marcar gols. Se usou a camisa 8 e não a 9 foi porque sua estatura - tem apenas 1,67 m - o impediu de alçar vôos, literalmente, mais altos.
Mesmo assim, o jogador fez história do Palmeiras. Dentre todas as suas grandes apresentações, duas merecem destaque. A primeira foi na final do Campeonato Paulista de 1950, disputada já em janeiro do ano seguinte. No jogo que ficou conhecido como “a final da lama”, foi dele o gol de empate, que garantiu a taça. Também em 1951, o nosso baixinho foi um dos destaques do Verdão na conquista da Copa Rio, o I Mundial Interclubes da história.
Contudo, na primeira partida semifinal, contra o Vasco/RJ, ele se chocou com o goleiro Barbosa e fraturou calcanhar, tíbia e perônio, o que o alijou do futebol por praticamente sete meses. Conseguiu, aos poucos, dar a volta por cima, mas em maio de 1952 novamente teve a mesma perna direita fraturada durante uma partida amistosa contra o Guadalajara/MÉX.
Por ter sido a segunda vez, evidentemente a recuperação foi bem mais lenta, e Achilles ficou cerca dois anos afastado dos gramados. Quando tentou voltar, em abril de 1954, disputou apenas duas partidas e teve a certeza de que não mais poderia jogar futebol profissionalmente. Com apenas 25 anos, teve de encerrar sua promissora e até então vencedora carreira.
Ainda que sua história no futebol não tenha tido um final feliz, o nosso baixinho jamais foi esquecido pela torcida palmeirense. E este humilde texto é apenas mais uma prova disso.
FICHA TÉCNICA
Nome: Achilles dos Reis
Data e Local de Nascimento:
28 de agosto de 1928, em Miranda/MT
Posição: Meia
Estréia: 24.12.49
Palmeiras 2 x 2 Portuguesa de Desportos/SP
Despedida: 06.04.54
Uberaba-MG 2 x 2 Palmeiras
Jogos: 72
Gols: 45
Títulos: Campeonato Paulista/50, Taça Cidade de São Paulo/50, Campeonato Mundial Interclubes/51, Torneio Rio-São Paulo/51, Taça Cidade de São Paulo/51
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O “grosso” que a torcida amava
O volante Amaral tinha tudo para ser desprezado pela torcida palmeirense. Afinal, seu futebol tecnicamente limitadíssimo contrastava tanto com o dos grandes craques que o time contratou em 1993, como Roberto Carlos, Zinho, Edílson e Edmundo, quanto com o daqueles que já estavam no Verdão - César Sampaio, Mazinho, Evair, entre outros.
Mas o então treinador palmeirense, Otacílio Gonçalves, sabia que uma equipe tão recheada de estrelas precisaria de alguém para carregar o piano, e gostou muito do franzino volante do time de Juniores, destaque na Copa São Paulo de 1993. Galgado ao grupo principal, Amaral rapidamente se tornou um dos jogadores mais queridos pelos demais jogadores, fosse por sua humildade, fosse pelas hilariantes histórias que contava dos tempos em que era funcionário de uma funerária, na qual sua função era lavar e vestir os cadáveres.
Em relação ao exigente torcedor palmeirense, o prata-da-casa também rapidamente o conquistou. Não tinha, como dissemos, técnica alguma, mas compensava tal deficiência com um poder de marcação poucas vezes visto. Tamanha dedicação à proteção da zaga levou Amaral não só à Seleção Brasileira como, também, a ser titular do time Canarinho em muitas oportunidades, como nas Olimpíadas de 1996, por exemplo.
Após muitos títulos pelo Verdão e uma rápida passagem pelo Benfica/POR, Amaral retornou em 1997 para ajudar o time a chegar a mais uma final - a do Campeonato Brasileiro. Depois, atuou com destaque também no Corinthians/SP (atual MSI), passou por Vasco/RJ, Grêmio/RS, Vitória/BA, outros clubes europeus e, no ano passado, esteve no Atlético/MG.
Mas jamais foi ou será esquecido pelos corações alviverdes.
FICHA TÉCNICA
Nome: Alexandre da Silva Mariano
Data e Local de Nascimento:
28 de fevereiro de 1972, em Capivari-SP
Posição: Volante
Estréia: 27/03/93
Marília-SP 1 x 3 Palmeiras
Despedida: 30.11.97
Palmeiras 3 x 1 Atlético-MG
Jogos: 244
Gols: 1
Títulos: Campeonato Paulista/93, Campeonato Brasileiro/93, Torneio Rio-São Paulo/93, Campeonato Paulista/94, Campeonato Brasileiro/94, Copa Brasil-Itália/94, Torneio Lev Yashin (Rússia)/94, Campeão Paulista/96, Euro-American Cup/96, Torneio Naranja (Espanha)/97, Torneio Maria Quitéria (Salvador-BA)/97, Campeão da Taça Gov. de Goiás/97
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O homem que parou Pelé
Se hoje as declarações de Pelé nem sempre são providas de lógica, nexo ou bom-senso, nos tempos em que ele brilhava pelos gramados do mundo suas frases costumavam ser mais felizes. E foi o próprio Rei do Futebol quem, certa vez, falou: “Aldemar foi o meu melhor marcador”.
Aqueles que viram os duelos travados entre Palmeiras e Santos/SP no começo dos anos 60 concordam com o mágico camisa 10 santista: o zagueiro palmeirense sabia, mesmo, como marcar o melhor jogador de futebol de todos os tempos. Não vamos, aqui, exagerar e dizer que ele parou o craque, mas que muitas evitou que seu encanto fosse ainda maior, isso ninguém discute.
Tal fama Aldemar ganhou logo em sua primeira decisão pelo Verdão. Nos três jogos que garantiram o título do Campeonato Paulista de 1959, ele não deu espaços a Pelé e saiu de campo como um dos grandes heróis daquela conquista que, de tão emocionante, ganhou a fama de “Supercampeonato”.
Aldemar começou no Santa Cruz/PE, em 1952, e seis anos mais tarde desembarcou no Palestra Itália. No Verdão atuou até junho de 1964, quando decidiu encerrar a sua carreira prematuramente, com apenas 33 anos. Durante o tempo em que defendeu o Palmeiras, seu principal companheiro de zaga foi Valdemar Carabina, com quem formou uma inesquecível dupla defensiva.
Em janeiro de 1977, curtindo a aposentadoria na capital pernambucana, Aldemar faleceu repentina e tragicamente, contando apenas 45 anos, ao ser atropelado por um ônibus. Desde então, deixou um enorme vazio no peito de cada palmeirense.
FICHA TÉCNICA
Nome: Aldemar dos Santos
Data e Local de Nascimento:
07.11.1931, no Rio de Janeiro/RJ
Data e Local de Falecimento:
21.01.1977, em Recife-PE
Posição: Zagueiro
Estréia: 26/04/1959
Votuporanguense/SP 1 x 4 Palmeiras
Despedida: 24/06/1964
Ass. Banc. Esp. Fernandópolis/SP 1 x 1 Palmeiras
Jogos: 213
Gols: 2
Títulos: Paulista/59, Taça Brasil/60, Paulista/63
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Chique no úrtimo
Não fosse Djalma Santos, Arce faria parte da seleção dos melhores jogadores do Palmeiras em todos os tempos. Seu talento era tão grande e sua importância para o time tão significativa que só mesmo o melhor lateral-direito da história do futebol o poderia superar.
Arce é um destes casos de jogadores que não nasceram no Verdão, mas que se identificaram de maneira tão completa que mais parecem ter saído das categorias de base do clube. Mas, quando desembarcou no Palestra Itália, no comecinho de 1998, já era um jogador conhecido e consagrado. Campeão pelo Grêmio/RS sob o comando de Luiz Felipe Scolari, foi justamente o treinador quem pediu sua contratação, visando repetir no Verdão as jogadas que ele e Paulo Nunes com tanto sucesso realizaram no Olímpico.
Mas, no Palmeiras, Arce foi ainda maior do que no tricolor gaúcho. Além dos 57 gols que marcou, recorde absoluto entre todos os laterais do time, de seus pés saíram passes que resultaram em outras muitas dezenas de gols marcados pelo time. Foram cruzamentos perfeitos, milimétricos, fatais. Capitão, líder, ídolo da torcida e símbolo palmeirense, este paraguaio escreveu seu nome na história do futebol brasileiro como um todo.
Titular absoluto da seleção de seu país nas Copas do Mundo de 1998 e 2002, Arce só deixou o Verdão no final de 2002, seduzido por uma proposta do futebol japonês. Não deu certo no Oriente, voltou ao Paraguai e defendeu o Libertad local antes de encerrar a sua carreira, aos 34 anos.
Por tudo o que fez pelo Verdão, seu nome jamais será esquecido, e terá para sempre um lugar de honra em nosso clube.
FICHA TÉCNICA
Nome: Francisco Javier Arce Rolón
Data e Local de Nascimento:
02 de abril de 1971, em Paraguari-PAR
Posição: Lateral-direito
Estréia: 24.01.98
Palmeiras 4 x 2 Corinthians
Despedida: 17.11.02
Vitória-BA 4 x 3 Palmeiras
Jogos: 240
Gols: 57
Títulos: Copa do Brasil/98, Copa Mercosul/98, Copa Libertadores da América/99, Copa dos Campeões/2000 e Torneio Rio-São Paulo/2000
