ANTÔNIO CARLOS
Quem diz que zagueiro bom precisa dar pontapé certamente não viu Antônio Carlos jogar. Domo de um estilo técnico, este jogador era incapaz de uma jogada mais desleal. Além disso, raríssimas foram as vezes em que ele afastou a bola de sua área com um chutão daqueles dignos dos antigos becões de fazenda.
Daí todo carinho que Antônio Carlos desfrutou por parte da torcida do Palmeiras. E olha que quando chegou, no comecinho de 2003, ainda carregava a imagem de um ídolo do São Paulo/SP, clube através do qual se tornou um jogador conhecido internacionalmente.
Mas quando trocou o pequeno Albacete espanhol pelo Verdão, o zagueiro rapidamente provou que vestiria a nossa camisa com respeito e dedicação. Primeiro, com Tonhão e Edinho Baiano, ajudou o Verdão a sair da fila ao faturar o Campeonato Paulista; depois, já ao lado de Cléber, faturou o Brasileirão daquele ano e vários outros títulos. Aliás, a dupla que formou com o popular Clebão tornou-se uma das melhores de toda a história do nosso clube.
Tanto sucesso no Palmeiras o levou novamente à Europa em 1996, mas então para defender a tradicional e campeã Roma, da Itália.
No ano passado, Antônio Carlos disputou seus últimos jogos como atleta defendendo o Santos/SP e, no começo de dezembro, deu início à carreira de dirigente esportivo.
Nome: Antônio Carlos Zago
Data e Local de Nascimento: 18.05.1969, em Presidente Prudente/SP
Posição: Zagueiro
Estréia: 27/01/1993 – Palmeiras 2 x 1 Marília/SP
Despedida: 03/12/1995 – Palmeiras 1 x 2 Portuguesa Desp./SP
Jogos: 190
Gols: 08
Títulos: Paulista/93, Rio-São Paulo/93, Brasileiro/93, Paulista/94, Brasileiro/94, Copa Brasil/Itália/94, Torneio Lev Yashin/94
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Mais um que a história esqueceu
Todo mundo sabe que o brasileiro é um povo sem memória, e isso fica bem claro no futebol. Inúmeros são os jogadores, em todos os clubes, que simplesmente pelo fato de terem brilhado numa época em que eram poucos ou quase nenhum os registros de imagens hoje estão quase ou mesmo completamente esquecidos.
Um bom exemplo disso é o meia Américo Murolo. Depois de surgir no Jabaquara de Santos/SP e viver grande fase no Linense/SP, este meia com pinta de centroavante chegou ao Verdão carregando fama de craque. E a ela fez jus: durante os mais de quatro anos em que defendeu a nossa camisa, transformou-se numa das principais armas ofensivas do time. E a grande prova disso foram os mais de 100 gols que marcou e os títulos que ajudou a ganhar – principalmente o do Supercampeonato Paulista de 1959, pelo qual foi um dos maiores responsáveis.
Diante de tal desempenho, causou muito espanto quando a diretoria, em fins de 1962, optou por aceitar uma proposta do Guarani/SP e lhe vendeu seu passe. Dias mais tarde, porém, a resposta todos conheceram: num esforço hercúleo, o Verdão havia conseguido tirar da Portuguesa Desp./SP o extraordinário Servílio, que viria a ser um dos maiores jogadores da história deste País.
Américo Murolo seguiu com sucesso em Campinas/SP e, anos mais tarde, jogou também com destaque no Flamengo/RJ. Hoje, aposentado e com 75 anos, vive com a família na cidade de Bragança Paulista/SP.
E se, como dissemos no primeiro parágrafo deste texto, a falta de memória é uma das características do futebol brasileiro, este jornalista humildemente se orgulha de, neste espaço, ter mais uma vez feito justiça a um grande craque do passado.
Ficha Técnica
NOME: Américo Murolo
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO: 28/04/1932, em São Paulo-SP
POSIÇÃO: Meia
ESTRÉIA: 07/09/58 – Jaboticabal/SP x 1 Palmeiras
DESPEDIDA: 09/12/62 – Corinthians/SP 3 x 0 Palmeiras
JOGOS: 177
GOLS: 104
TÍTULOS: Campeonato Paulista/59, Torneio do México/59, Torneio Roberto Ugolini/59, Taça Brasil/60, Torneio Roberto Ugolini/60, Torneio Quadrangular de Lima (Peru)/62, Torneio Cidade de Manizales (Colômbia)/62
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Um craque como antigamente
Quando chegou ao Palmeiras, com apenas 19 anos, Alex já era uma grande promessa. Afinal, brilhara no Coritiba/PR e chamara a atenção com um futebol clássico, refinado e de muita habilidade, muito comum no passado mas então já raro. Aliás, foram exatamente tais qualidades que o elevaram em tempo recorde à condição de ídolo de toda a torcida.
Mesmo às vezes acusado de sonolento, Alex raramente passava mais do que dois ou três jogos sem ter uma grande atuação. Muitas delas, aliás, ficaram para a história, mas uma em especial o torcedor palmeirense guarda no coração: a da semifinal da Copa Libertadores da América, no Palestra, diante do River Plate/ARG, quando o camisa 10 fez dois dos três gols da vitória por 3 a 0, foi o principal responsável pela classificação à grande final do torneio e relembrou as mágicas atuações de um outro camisa 10 do time, Ademir da Guia.
Alex já defendeu o Palmeiras em três oportunidades. Na mais recente, em 2002, viveu outro momento mágico. Numa goleada por 4 a 2 sobre o São Paulo/SP, no Morumbi, marcou um gol antológico: ao receber na entra da área, deu dois chapéus seguidos nos zagueiros são-paulinos e, na saída do goleiro Rogério Ceni, tocou por cobertura. O lance foi tão fantástico que ganhou mais do que uma placa: um outdoor foi colocado em frente à Academia de Futebol, numa clara provocação à vítima daquela noite, cujo CT se encontra ao lado do palmeirense.
O excelente meia, maior artilheiro do Verdão na Libertadores ao lado de Tupãzinho, com 11 gols, hoje atua no futebol turco mas ensaia um retorno ao Brasil. E é claro que o Palmeiras já está todo aceso outra vez.
FICHA TÉCNICA
NOME: Alexsandro de Souza
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO:
14.09.1977, em Curitiba/PR
POSIÇÃO: Meia
ESTRÉIA: 05.07.1997
Palmeiras 4 x 1 Fluminense/RJ
DESPEDIDA: 27.04.2002
Palmeiras 2 x 2 São Paulo/SP
JOGOS: 242
GOLS: 80
TÍTULOS: Torneio Naranja (Espanha)/97, Copa Mercosul/98, Copa do Brasil/98, Copa Libertadores da América/99, Torneio Rio-São Paulo/2000
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Seu nome deveria ser “Gol”
Se há algo que todos nós, palmeirenses, deveríamos lamentar é o fato de Artime ter jogado apenas um ano no Verdão. Se nos tivesse brindado com sua presença em nossa equipe por mais tempo, a Segunda Academia - que surgiria pouco depois de sua saída - teria sido ainda mais vencedora, com toda a certeza.
A facilidade com que este argentino marcava gols era algo espantoso. Já nos argentinos River Plate e Independiente, seus primeiros clubes como profissional, ele mostrava todo o seu potencial. Ídolo em seu país, disputou a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, e marcou três dos cinco gols que Argentina fez em quatro partidas.
Ao Parque Antártica o jogador chegou em 1968. Aqui, conseguiu viver uma das melhores fases de sua carreira, marcando 49 gols em apenas 57 jogos. Sua mais completa atuação se deu em 16 de janeiro do ano seguinte, numa partida contra o Rapid Viena/ÁUS pelo Torneio de Mar del Plata: ele fez todos os cinco gols do Verdão na goleada por 5 a 1 ! Até hoje, além dele apenas outros sete jogadores conseguiram marcar tantos gols numa só partida: Osses, em 1930; Heitor, em 1926, 1927 e 1930; Caxambu, em 1943; Canhotinho, em 1951; Mazzola, em 1957; Dario, em 1965; e Cardoso, em 1969.
Apesar de todo o sucesso, Artime deixou o Palmeiras no meio daquela temporada - uma irrecusável proposta do Nacional/URU seduziu o jogador que, além do dinheiro, vislumbrou a chance de ficar mais próximo da sua família.
E lá se foi o artilheiro encantar outra torcida...
Ficha Técnica no Verdão
Nome: Luís Artime
Data e local de nascimento: 25 de novembro de 1941, em Mendoza/ARG
Posição: Atacante
Estréia:
14.07.68 - Palmeiras 4 x 0 Independiente/ARG
Despedida:
06.07.69 - Maringá-PR 0 x 1 Palmeiras
Jogos: 57
Gols: 49
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Divino pela própria natureza
Ele tinha tudo para ser apenas o filho de Domingos, jogador que só poderia mesmo ter o nome do dia consagrado ao futebol. Mas ele nasceu para superar o pai. Para defini-lo, talvez seja necessário só um adjetivo: divino. Mas Ademir da Guia não foi apenas o melhor jogador da história do Palmeiras: ele é o próprio Palmeiras, tanta parte faz da história deste clube. Vê-lo jogar, para os que tal sorte tiveram, foi um prazer comparável apenas ao seu próprio talento.
Poucos sabem, porém, que Ademir nem sempre foi uma unanimidade. Aos 19 anos, recém-chegado do pequeno Bangu/RJ, aquele menino já tão tímido e calado deixou que pujança da Cidade e a paixão da torcida o intimidassem e o calassem ainda mais. Daí o apelido que ganhou em seus primeiros meses de Parque Antártica: Bonde. Sim, cometeram o hediondo crime de comparar Ademir da Guia ao meio de transporte que, no começo dos anos 60, já se tornava obsoleto. Mas bastaram algumas partidas para que o menino provasse que tinha, como dissera Armando Nogueira, nome e sobrenome de craque.
Tempo, aliás, foi o que não faltou a Ademir: foram 16 anos, um mês e um dia de serviços prestados ao clube, desde 17 de agosto de 1961, quando treinou pela primeira vez no Palestra Itália, até 18 de setembro de 1977, dia em que vestiu pela última vez em jogos oficiais a camisa do Verdão.
Praticamente não vi Ademir jogar, e isso dói. Mas, para escrever sobre ele, talvez nem seja preciso ter acompanhado suas passadas vagarosas e simultaneamente mortais, sua falsa frieza em campo, seus quase 90% de acerto nos passes, segundo calculou um dia Oswaldo Brandão. Como disse certa vez o poeta João Cabral de Mello Neto, Ademir "impunha com seu jogo o ritmo do chumbo e o peso da lesma, da câmera lenta, do andar na areia, do homem dentro do pesadelo, entorpecendo e então atando o mais irrequieto adversário".
Ademir da Guia é divino pela própria natureza e o site Ponto Verde, assim como qualquer um dos mais de 15 milhões de palmeirenses espalhados pelos quatro cantos do mundo, jamais o esquecerá.
Ficha Técnica no Verdão
NOME: Ademir da Guia
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO:
3 de abril de 1942, no Rio de Janeiro-RJ
POSIÇÃO: Meia
ESTRÉIA:
08.04.62 - Paulista de Santa Bárbara D'Oeste/SP 2 x 4 Palmeiras
DESPEDIDA:
22.01.84 - Comb. Amigos Ademir da Guia 2 x 1 Palmeiras
JOGOS: 903
GOLS: 158
TÍTULOS: Campeonato Paulista/63, Taça Piratininga/63, Torneio de Firenze (Itália)/63, Torneio de Guadalajara/63 (México), Torneio Rio-São Paulo/65, Torneio IV Centenário do Rio de Janeiro-RJ/65, Taça Piratininga/65, Campeonato Paulista/66, Torneio Internacional Quadrangular João Havelange/66, Taça Piratininga/66, Torneio Roberto Gomes Pedroza/67, Taça Brasil/67, Taça Brasil-Japão/67, Torneio Roberto Gomes Pedroza/69, Torneio Ramón de Carranza (Espanha)/69, Campeão da Copa da Grécia/70, Campeonato Brasileiro/72, Campeonato Paulista/72, Torneio de Mar del Plata (Argentina e Uruguai)/72, Campeonato Brasileiro/73, Campeonato Paulista/74, Torneio Ramón de Carranza (Espanha)/74, Torneio Ramón de Carranza (Espanha)/75, Campeão Paulista/76
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Bom até no banco
O médio central Amílcar Barbuy tinha tudo para não estar nesta seção. Afinal, trata-se de um dos maiores ídolos da história do nosso maior rival, o Corinthians-MSI/SP. Porém, dois fatores foram fundamentais para que este craque também escrevesse seu nome em nossa história: ele participou da primeira partida disputada pelo nosso clube e, também, quando trocou o Parque São Jorge pelo Parque Antarctica, defendeu nossa camisa com dedicação.
Amílcar poderia, como dissemos acima, ter iniciado sua trajetória no alviverde bem antes. Ele foi um dos jogadores emprestados pelo alvinegro no histórico e glorioso 24 de janeiro de 1915, quando vencemos o Savóia de Votorantim/SP por 2 a 0. Mas, embora tenha participado também do nosso terceiro jogo - derrota para o Santos/SP por 7 a 0 -, preferiu retornar ao seu clube. Por isso, somente se tornou um dos nossos nove anos mais tarde.
Líder nato, Amílcar assumiu o comando da equipe em 115 partidas, já que naquela época o capitão do time era também o seu treinador. Por isso, além dos títulos que detém como atleta, consta em seu currículo também uma conquista como treinador, a do Campeonato Paulista de 1926.
Ficha Técnica no Verdão
NOME: Amílcar Barbuy
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO:
29 de abril de 1893, em Rio das Pedras-SP
DATA E LOCAL DE FALECIMENTO:
24 de agosto de 1965, em São Paulo-SP
POSIÇÃO: Médio Central
ESTRÉIA:
24.01.15 - Savóia de Votorantim-SP 0 x 2 Palmeiras
DESPEDIDA:
08.06.30 - Palestra Itália 1 x 1 Germânia-SP
JOGOS: 103
GOLS: 16
TÍTULOS: Campeonato Paulista/26, Campeonato Paulista Extra/26, Campeonato Honorário do Brasil/26, Campeonato Paulista/27 (como jogador). Campeonato Paulista/26 (como técnico)
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Um coadjuvante de luxo na zaga
Durante muitos anos, a dupla de zaga titular do Palmeiras foi formada por Luís Pereira e Alfredo Mostarda. A função deste quarto-zagueiro, embora considerado o coadjuvante do setor, era importantíssima: além de segurar as pontas na defesa quando o talentoso companheiro se fazia de centroavante e partia com tudo ao ataque, ainda por cima era o encarregado de parar as jogadas de contra-ataque dos adversários.
Mas, quando se joga ao lado de um gênio, adjetivo que tranqüilamente se aplica ao inesquecível Chevrolet, acaba-se tocado pelo mesmo dom. E assim lá foi Mostarda para a Copa do Mundo da Alemanha, em 1974. Reserva de Marinho Peres, atuou apenas na disputa pelo terceiro lugar, contra a Polônia, ironicamente no lugar de seu amigo e colega de clube, expulso na semifinal contra a Holanda.
Nosso homenageado da vez jogava em pequenos clubes da Penha, bairro da Zona Lesta de São Paulo/SP onde nasceu. Aos 15 anos, foi para a equipe comandada pelo ex-ponta Julinho Botelho e, num amistoso contra o Juvenil do Palmeiras, jogou tão bem que acabou convidado pelo então treinador palmeirense, Mário Travaglini, a ingressar no Sub-17 do Verdão.
Muito jovem, estreou no time principal cinco anos mais tarde, porém rapidamente começou uma série de empréstimos: Cruzeiro/RS, Marcílio Dias/SC, Nacional/AM, América/SP. Retornou ao Verdão aos 26 anos para formar, como dissemos acima, a mais importante dupla de zaga de nossa história, eternizada com as inúmeras conquistas da chamada Segunda Academia.
Em 1976, às vésperas de completar 30 anos, teve rápida porém marcante passagem pelo Coritiba/PR (no qual se sagrou campeão paranaense) e, no ano seguinte, pelo Santos/SP, retornando ao Palestra Itália em 1978 a tempo de ser vice-campeão brasileiro. No começo de 1979, já aos 33 anos, Mostarda ganhou o que se chamava na época de passe livre e foi defender o Taubaté/SP, onde atuou por três anos.
Daí em diante, deu início à sua carreira de treinador e, hoje, dá aulas de futebol numa escola mantida pela Prefeitura de São Paulo/SP.
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Fera no nome e na fome de gols
Não tivesse sido contemporâneo de gênios como César Maluco e Tupãzinho, certamente Ademar Pantera teria feito muito mais gols e ganhado bem mais títulos pelo Palmeiras. Porém, disputando a posição ora com um, ora com outro, este sensacional centroavante acabou sendo prejudicado e, embora tenha marcado 82 vezes pelo nosso clube, não tem por parte de alguns o devido reconhecimento.
Ademar ganhou o apelido que o acompanhou durante toda a carreira ainda na Prudentina/SP, clube que o revelou, devido à impetuosidade com que sempre partiu em busca dos gols. Se dentro de campo era mesmo uma fera, fora dele tratava-se de dócil pessoa, afeita a muitos amigos e também às noitadas. Por causa disso, foi emprestado ao Flamengo/RJ em 1967 e, assim, perdeu a chance de faturar o primeiro título do torneio Roberto Gomes Pedroza ganho pelo Verdão.
Mas nem tudo lhe foi ruim no Rio de Janeiro/RJ: afinal, tornou-se artilheiro daquela mesma competição ao lado do palmeirense César. Aliás, terminar um torneio na condição de seu máximo goleador era algo comum a Pantera: em 1965, esteve nesta condição ao marcar 14 gols no Torneio Rio-São Paulo, do qual foi também campeão. Pouco depois, fraturou a perna durante um amistoso com o Botafogo/SP após se chocar com Baldocchi, que anos mais tarde se tornaria um zagueiro palmeirense, e ficou três meses afastado dos gramados.
Em abril de 1968, com César Maluco cada vez provando mais o seu valor e sua facilidade para ser artilheiro, Pantera foi negociado em definitivo com o Fluminense/RJ, depois jogou também no Coritiba/PR e no Uberaba/MG, mas nunca mais foi o mesmo de antes.
Após encerrar a carreira, Ademar tornou-se motorista de táxi em São Paulo/SP, mas aos poucos os primeiros sinais da uma rara doença degenerativa nos músculos começaram a aparecer. O grande comandante de ataque morreu, com apenas 60 anos, pobre e quase esquecido numa casa simples de Pirituba, Zona Oeste de São Paulo/SP.
Ficha Técnica no Verdão
Nome: Ademar Miranda Júnior
Data e Local de Nascimento: 31/10/1941, em São Paulo/SP
Data e Local de Falecimento: 30/11/2001, em São Paulo/SP
Posição: Centroavante
Estréia: 03/05/1964 - Palmeiras 3 x 4 Botafogo/RJ
Despedida: 10/04/1968 - Palmeiras 2 x 3 Portuguesa Desp./SP
Jogos: 133
Gols: 82
TÍTULOS: Rio-São Paulo/65, Torn. IV Centenário Rio de Janeiro-RJ/65, Paulista/66, Torn. Intern. João Havelange/66
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Baixinho bom era o nosso
Não é de hoje que baixinhos fazem sucesso no futebol. Aliás, o primeiro deles é bem provável que tenha sido palmeirense.
O meia Achilles, destaque do Verdão no começo dos ano 50, poderia até ter sido centroavante, e não meia, diante de tanta facilidade para marcar gols. Se usou a camisa 8 e não a 9 foi porque sua estatura - tem apenas 1,67 m - o impediu de alçar vôos, literalmente, mais altos.
Mesmo assim, o jogador fez história do Palmeiras. Dentre todas as suas grandes apresentações, duas merecem destaque. A primeira foi na final do Campeonato Paulista de 1950, disputada já em janeiro do ano seguinte. No jogo que ficou conhecido como “a final da lama”, foi dele o gol de empate, que garantiu a taça. Também em 1951, o nosso baixinho foi um dos destaques do Verdão na conquista da Copa Rio, o I Mundial Interclubes da história.
Contudo, na primeira partida semifinal, contra o Vasco/RJ, ele se chocou com o goleiro Barbosa e fraturou calcanhar, tíbia e perônio, o que o alijou do futebol por praticamente sete meses. Conseguiu, aos poucos, dar a volta por cima, mas em maio de 1952 novamente teve a mesma perna direita fraturada durante uma partida amistosa contra o Guadalajara/MÉX.
Por ter sido a segunda vez, evidentemente a recuperação foi bem mais lenta, e Achilles ficou cerca dois anos afastado dos gramados. Quando tentou voltar, em abril de 1954, disputou apenas duas partidas e teve a certeza de que não mais poderia jogar futebol profissionalmente. Com apenas 25 anos, teve de encerrar sua promissora e até então vencedora carreira.
Ainda que sua história no futebol não tenha tido um final feliz, o nosso baixinho jamais foi esquecido pela torcida palmeirense. E este humilde texto é apenas mais uma prova disso.
FICHA TÉCNICA
Nome: Achilles dos Reis
Data e Local de Nascimento:
28 de agosto de 1928, em Miranda/MT
Posição: Meia
Estréia: 24.12.49
Palmeiras 2 x 2 Portuguesa de Desportos/SP
Despedida: 06.04.54
Uberaba-MG 2 x 2 Palmeiras
Jogos: 72
Gols: 45
Títulos: Campeonato Paulista/50, Taça Cidade de São Paulo/50, Campeonato Mundial Interclubes/51, Torneio Rio-São Paulo/51, Taça Cidade de São Paulo/51
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O “grosso” que a torcida amava
O volante Amaral tinha tudo para ser desprezado pela torcida palmeirense. Afinal, seu futebol tecnicamente limitadíssimo contrastava tanto com o dos grandes craques que o time contratou em 1993, como Roberto Carlos, Zinho, Edílson e Edmundo, quanto com o daqueles que já estavam no Verdão - César Sampaio, Mazinho, Evair, entre outros.
Mas o então treinador palmeirense, Otacílio Gonçalves, sabia que uma equipe tão recheada de estrelas precisaria de alguém para carregar o piano, e gostou muito do franzino volante do time de Juniores, destaque na Copa São Paulo de 1993. Galgado ao grupo principal, Amaral rapidamente se tornou um dos jogadores mais queridos pelos demais jogadores, fosse por sua humildade, fosse pelas hilariantes histórias que contava dos tempos em que era funcionário de uma funerária, na qual sua função era lavar e vestir os cadáveres.
Em relação ao exigente torcedor palmeirense, o prata-da-casa também rapidamente o conquistou. Não tinha, como dissemos, técnica alguma, mas compensava tal deficiência com um poder de marcação poucas vezes visto. Tamanha dedicação à proteção da zaga levou Amaral não só à Seleção Brasileira como, também, a ser titular do time Canarinho em muitas oportunidades, como nas Olimpíadas de 1996, por exemplo.
Após muitos títulos pelo Verdão e uma rápida passagem pelo Benfica/POR, Amaral retornou em 1997 para ajudar o time a chegar a mais uma final - a do Campeonato Brasileiro. Depois, atuou com destaque também no Corinthians/SP (atual MSI), passou por Vasco/RJ, Grêmio/RS, Vitória/BA, outros clubes europeus e, no ano passado, esteve no Atlético/MG.
Mas jamais foi ou será esquecido pelos corações alviverdes.
FICHA TÉCNICA
Nome: Alexandre da Silva Mariano
Data e Local de Nascimento:
28 de fevereiro de 1972, em Capivari-SP
Posição: Volante
Estréia: 27/03/93
Marília-SP 1 x 3 Palmeiras
Despedida: 30.11.97
Palmeiras 3 x 1 Atlético-MG
Jogos: 244
Gols: 1
Títulos: Campeonato Paulista/93, Campeonato Brasileiro/93, Torneio Rio-São Paulo/93, Campeonato Paulista/94, Campeonato Brasileiro/94, Copa Brasil-Itália/94, Torneio Lev Yashin (Rússia)/94, Campeão Paulista/96, Euro-American Cup/96, Torneio Naranja (Espanha)/97, Torneio Maria Quitéria (Salvador-BA)/97, Campeão da Taça Gov. de Goiás/97
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O homem que parou Pelé
Se hoje as declarações de Pelé nem sempre são providas de lógica, nexo ou bom-senso, nos tempos em que ele brilhava pelos gramados do mundo suas frases costumavam ser mais felizes. E foi o próprio Rei do Futebol quem, certa vez, falou: “Aldemar foi o meu melhor marcador”.
Aqueles que viram os duelos travados entre Palmeiras e Santos/SP no começo dos anos 60 concordam com o mágico camisa 10 santista: o zagueiro palmeirense sabia, mesmo, como marcar o melhor jogador de futebol de todos os tempos. Não vamos, aqui, exagerar e dizer que ele parou o craque, mas que muitas evitou que seu encanto fosse ainda maior, isso ninguém discute.
Tal fama Aldemar ganhou logo em sua primeira decisão pelo Verdão. Nos três jogos que garantiram o título do Campeonato Paulista de 1959, ele não deu espaços a Pelé e saiu de campo como um dos grandes heróis daquela conquista que, de tão emocionante, ganhou a fama de “Supercampeonato”.
Aldemar começou no Santa Cruz/PE, em 1952, e seis anos mais tarde desembarcou no Palestra Itália. No Verdão atuou até junho de 1964, quando decidiu encerrar a sua carreira prematuramente, com apenas 33 anos. Durante o tempo em que defendeu o Palmeiras, seu principal companheiro de zaga foi Valdemar Carabina, com quem formou uma inesquecível dupla defensiva.
Em janeiro de 1977, curtindo a aposentadoria na capital pernambucana, Aldemar faleceu repentina e tragicamente, contando apenas 45 anos, ao ser atropelado por um ônibus. Desde então, deixou um enorme vazio no peito de cada palmeirense.
FICHA TÉCNICA
Nome: Aldemar dos Santos
Data e Local de Nascimento:
07.11.1931, no Rio de Janeiro/RJ
Data e Local de Falecimento:
21.01.1977, em Recife-PE
Posição: Zagueiro
Estréia: 26/04/1959
Votuporanguense/SP 1 x 4 Palmeiras
Despedida: 24/06/1964
Ass. Banc. Esp. Fernandópolis/SP 1 x 1 Palmeiras
Jogos: 213
Gols: 2
Títulos: Paulista/59, Taça Brasil/60, Paulista/63
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Chique no úrtimo
Não fosse Djalma Santos, Arce faria parte da seleção dos melhores jogadores do Palmeiras em todos os tempos. Seu talento era tão grande e sua importância para o time tão significativa que só mesmo o melhor lateral-direito da história do futebol o poderia superar.
Arce é um destes casos de jogadores que não nasceram no Verdão, mas que se identificaram de maneira tão completa que mais parecem ter saído das categorias de base do clube. Mas, quando desembarcou no Palestra Itália, no comecinho de 1998, já era um jogador conhecido e consagrado. Campeão pelo Grêmio/RS sob o comando de Luiz Felipe Scolari, foi justamente o treinador quem pediu sua contratação, visando repetir no Verdão as jogadas que ele e Paulo Nunes com tanto sucesso realizaram no Olímpico.
Mas, no Palmeiras, Arce foi ainda maior do que no tricolor gaúcho. Além dos 57 gols que marcou, recorde absoluto entre todos os laterais do time, de seus pés saíram passes que resultaram em outras muitas dezenas de gols marcados pelo time. Foram cruzamentos perfeitos, milimétricos, fatais. Capitão, líder, ídolo da torcida e símbolo palmeirense, este paraguaio escreveu seu nome na história do futebol brasileiro como um todo.
Titular absoluto da seleção de seu país nas Copas do Mundo de 1998 e 2002, Arce só deixou o Verdão no final de 2002, seduzido por uma proposta do futebol japonês. Não deu certo no Oriente, voltou ao Paraguai e defendeu o Libertad local antes de encerrar a sua carreira, aos 34 anos.
Por tudo o que fez pelo Verdão, seu nome jamais será esquecido, e terá para sempre um lugar de honra em nosso clube.
FICHA TÉCNICA
Nome: Francisco Javier Arce Rolón
Data e Local de Nascimento:
02 de abril de 1971, em Paraguari-PAR
Posição: Lateral-direito
Estréia: 24.01.98
Palmeiras 4 x 2 Corinthians
Despedida: 17.11.02
Vitória-BA 4 x 3 Palmeiras
Jogos: 240
Gols: 57
Títulos: Copa do Brasil/98, Copa Mercosul/98, Copa Libertadores da América/99, Copa dos Campeões/2000 e Torneio Rio-São Paulo/2000