sábado, 2 de janeiro de 2010

- 02 Craques do Palmeirs


Na foto, Zequinha é o quinto em pé da esquerda para a direita, entre Djalma Dias e Ferrari (na ponta)


SUPER DE 57 MATOU A SEDE DE TÍTULOS DO POVÃO

Em jejum havia dez anos, o Santa Cruz procurou se reforçar com craques chegando de todos os lados para tentar resgatar a hegemonia do futebol estadual, em 1957. Mas seus arquiinimigos Náutico e Sport também possuíam fortes equipes. Com a perda do campeonato de 56 para os rubro-negros, o técnico Palmeira sofreu desgaste no Arruda e acabou cedendo lugar ao argentino Alfredo Gonzalez.

“Recife vivia um clima efervescente pouco antes da conquista, devido ao assassinato do bispo de Garanhuns, dom Expedito Lopes, pelo pároco de Quipapá, Hosana Siqueira”, registrou em seu livro em que conta a história do futebol pernambucano o jornalista Givanildo Alves, já falecido.

A fórmula de disputa do Campeonato Pernambucano mudou em relação ao ano anterior. Em vez de dois turnos, a competição teria três, abrindo-se assim a possibilidade de um supercampeonato, caso equipes distintas conquistassem uma fatia do bolo, cada. E foi o que aconteceu.

O Clássico dos Clássicos, entre Sport e Náutico, no dia 3 de março de 58, abriu a fase extra da competição. O jogo realizado na Ilha do Retiro acabou empatado em 1x1.

Já os tricolores só estreariam seis dias depois. Novamente, a Ilha do Retiro foi escolhida, através de sorteio, para ser palco do Clássico das Emoções. Com um futebol de muita técnica, o Santa superou o Náutico por 3x1, com três gols de Lanzoninho.

E veio a terceira partida, novamente na Ilha, em 16 de março. O time tricolor, se impôs, chegando a abrir uma vantagem de três gols, com Rudimar, Aldemar (de pênalti) e Mituca. Numa reação surpreendente, os rubro-negros marcaram dois gols, com Carlos Alberto e Zé Maria, mas não tiveram forças para empatar o jogo.

No jogo final, o Sport atuou com Manga, Bria e Osmar, Zé Maria, Mirim e Pinheirense, Roque, Traçaia, Liminha, Carlos Alberto e Geo. Técnico: Dante Jorge Bianchi. E o Santa Cruz com Aníbal, Diogo e Sidney, Zequinha, Aldemar e Edinho, Lanzoninho, Faustino, Rudimar, Mituca e Jorginho. Técnico: Alfredo Gonzalez. Árbitro: Esteban Marino.

-03 Palmeiras e ponto verde homenageam a julinho





A exposição do ex-ponta é uma homenagem aos 50 anos do dia em que o Estádio do Maracanã se curvou diante do talento de Julinho. No dia 13 de maio de 1959, ele foi anunciado como titular pelo técnico Vicente Feola na partida amistosa entre Brasil e Inglaterra. 120 mil pessoas que lotaram o templo carioca vaiaram a escalação, já que queriam ver Garrincha na equipe principal.

Mas, como num golpe de mágica, Julinho calou a multidão. Além de um gol, marcado logo aos 3 minutos do primeiro tempo, o ex-craque palmeirense fez uma linda jogada que resultou no segundo gol, marcado por Henrique. Ao final da partida, todo o Maracanã aplaudiu de pé o ponta, que havia acabado de voltar da Itália para atuar pelo Palmeiras.

De acordo com o historiador do clube, José Roberto Christianini, a Mostra é uma homenagem a um dos principais atletas que o Brasil já teve. "O Julinho era um jogador formidável, e sua trajetória nos mais diferentes clubes comprova isso. Ficamos honrados em fazer esta exposição, que contou com a preciosa colaboração de familiares. Foi cedido ao Palmeiras parte do acervo histórico do Julinho, que conta com fotos, camisas originais, reportagens e troféus conquistados por ele ao longo da carreira", revelou.

Julinho Botelho iniciou a carreira no Juventus/SP, mas explodiu anos mais tarde, na Portuguesa/SP. Foi um dos primeiros atletas a ser negociado com o futebol europeu, onde foi campeão italiano de 1956 pela Fiorentina/ITA, clube que o idolatra até hoje. O Palmeiras foi buscá-lo no final da década de 50, e Julinho fez parte do super time campeão Paulista de 1959, em cima do Santos, e também da chamada Primeira Academia, montada por Filpo Nuñes.


Com a camisa palmeirense, o eterno ídolo – que faleceu aos 73 anos no dia 11 de janeiro de 2003 - disputou 267 partidas e marcou 81 gols, estando desta forma entre os 25 maiores artilheiros de toda a história do clube. Dentre os títulso que conquistou pelo Verdão, destaque para os Campeonatos Paulistas de 1959 e 1963, a Taça Brasil de 1960 e o Torneio Rio-São Paulo de 1965.

A exposição acontecerá até o dia 31 de maio no Salão de Troféus do estádio Palestra Itália, sempre de terça a sexta-feira, das 14h30 às 20h00, e aos sábados e domingos das 10h30 às 18h. Os não associados devem solicitar a visita através do e-mail historia.palmeiras@gmail.com. A entrada é franca.

-04 Bertolini estreia no comando do ataque




O futebol em seus primeiros tempos era algo muito curioso e, também, completamente diferente daquele que hoje conhecemos.

Uma das situações mais interessantes dizia respeito à posição em que os jogadores atuavam. Muitos deles era, em uma partida, zagueiro, noutra goleiro e em seguida novamente zagueiro. Tivemos no próprio Palestra Itália uma situação semelhante, e com dois jogadores: Flosi e Olivieri.

Algo idêntico aconteceu com um dos principais médios-direitos de nossa história, Bertolini. O jogador, que se consagrou atuando pelo lado direito de nossa defesa, fez sua primeira partida pelo Verdão jogando completamente fora de sua posição original: no comando do ataque.

A aventura bem longe da defesa porém, durou só aquela partida. Na próxima vez que foi escalado pelo capitão Bianco, ele já atuou na lateral, ainda que a esquerda.

Confira a ficha técnica da estréia de Bertolini com a camisa alviverde:

05- Colombo.. troca de parque mais não garante sucesso




O ponta canhoto Colombo surgiu como uma fera nas categorias de base do Corinthians/SP. Assim que foi promovido ao time principal, no final dos anos 40, formou com Luizinho, conhecido como “Pequeno Polegar”, uma excepcional linha pela esquerda.

Todavia, o sucesso que alcançou seu colega não foi em sonho obtido por Colombo. Daí a decisão do jogador de trocar o parque São Jorge pelo Noroeste de Bauru/SP, onde então sim pôde demonstrar seu inquestionável bom futebol.

Foi também no Alfredo de Castilho que, no começo de 1956, o Palmeiras foi buscá-lo, mas não sem lhe imputar uma enorme responsabilidade: substituir Rodrigues Tatu, craque da posição que, brigado com a diretoria, transferiu-se para o Botafogo/RJ.

Colombo topou o desafio, e até que não foi mal enquanto vestiu o manto verde e branco. Afinal, foram 23 gols e dezenas de outras assistências em 77 partidas disputadas. Mas é claro que tal desempenho nem em sonho se comparou ao antigo dono da nossa camisa 11 e, também por isso, o jogador não teve o tempo necessário para render o que poderia.

Hoje aos 80 anos, Colombo está aposentado e vive na cidade de Praia Grande, litoral paulista.

Nome: José Colombo
Posição: Ponta-esquerda
Data e Local de Nascimento: 06/01/1930, em São Paulo/SP
Estreia: 04/03/1956 – Taubaté/SP 2 x 0 Palmeiras
Despedida: 06/10/1957 – Bandeirante de São Carlos/SP 1 x 6 Palmeiras
Jogos: 77
Gols: 23
Títulos Expressivo: Nenhum

Obs.: Esta seção será atualizada em 23/02/2010.

06- Toninho, o recordista..



O centroavante Toninho é o recordista de gols marcados pelo Palmeiras num mesmo jogo válido pelo Campeonato Brasileiro.

O grande artilheiro marcou quatro dos seis que o Verdão fez na goleada de 6 a 0 sobre Sampaio Correa/MA, no Pacaembu, em 27 de abril de 1978. Os outros dois gols palmeirenses naquele jogo foram do ponta-de-lança Escurinho.

Durante os três anos e meio em que defendeu a camisa alviverde, Toninho jogou 175 partidas e marcou 84 gols, o que o torna o 23º maior artilheiro de toda a nossa história.

07-Bicampeão Brasileiro


“Onde a Arena vai mal, um time no Nacional; e onde vai bem, um time também”.

Esta frase, dita em evidente tom jocoso no começo dos anos 70, espelha com exatidão o quanto a Política influenciava as decisões tomadas em relação ao futebol naqueles tempos de chumbo grosso. Aos mais jovens ou aos que já esqueceram, vale lembrar: Arena era a sigla da Aliança Renovadora Nacional, partido que comandava o País e aos qual pertenciam os militares que, à época, mandavam e desmandavam no Brasil.

Sob o pretexto de tornar o Campeonato Brasileiro cada vez mais abrangente, a CBD – Confederação Brasileira de Desportos, entidade que organizava (?) o torneio nacional – decidiu ampliar de 26 para 40 o número de times participantes na principal competição da bola tupiniquim. Resultado: presença de times inexpressivos, jogos quase que diariamente e, claro, um calendário que não suportou tantas partidas e, por isso, teve de ver o Brasileirão/1973 ser decidido somente em fevereiro de 1974.

Nem vamos perder tempo em tentar explicar o sistema de disputa, já que ele teve turno, returno e divisões distintas de chaves a cada etapa, sem que uma lógica pudesse ser vista. No que diz respeito ao Palmeiras, vale lembrar que nossa campanha foi excepcional no Primeiro Turno da Primeira Fase: em 19 partidas, foram 13 vitórias e seis empates. Ou seja: terminamos a etapa como o único dos 40 times a não perder um só jogo sequer. Somente no returno da etapa inicial é que o Verdão conheceu seus primeiros tropeços: foram três derrotas, um empate e cinco vitórias em nove jogos.

Dono da melhor campanha, o Palmeiras ficou no Grupo 1 na Segunda Fase do Brasileirão daquele ano, que começou somente em janeiro do ano seguinte. Com cinco vitórias e quatro empates em nove partidas, mais uma vez nossa fantástica equipe dava provas de ser a mais qualificada em busca do título que, para ela, significaria o bicampeonato. Assim, ao lado de Internacional/RS, São Paulo/SP e Cruzeiro/MG, o Verdão garantiu vaga no quadrangular final.

Hoje em dia, é comum a discussão entre aqueles que preferem uma competição com pontos corridos e os que defendem a tese de que todo torneio precisa ter ao menos uma partida final. O regulamento adotado no Campeonato Brasileiro/73, mais ou menos um meio termo entre as duas formas, poderia ser o fim desta polêmica. Afinal, além de justo – já que contou com a participação das quatro melhores equipes – também foi emocionante e, de quebra, ainda teve uma quase decisão.

O termo “quase” se explica: na última rodada do quadrangular final, apenas o Internacional/RS já não tinha condições de obter o título. Explicando: as quatro equipes se enfrentariam em turno único, e seria campeã a que mais pontos somasse após somente três jogos. Na primeira rodada, o Tricolor paulista saiu na frente, goleando o time gaúcho no Morumbi por 4 a 1. No Mineirão, o alviverde passou pela Raposa, mas penas por 1 a 0. A sorte do Palmeiras é que, na rodada seguinte, nosso rival foi derrotado no Mineirão por 1 a 0, enquanto numa partida disputadíssima conseguimos, de virada e quase no fim do jogo, vencer o Colorado: 2 a 1.

Fazendo as contas: o Palmeiras liderava o quadrangular final com 4 pontos, São Paulo/SP e Cruzeiro somavam 2 e o Inter/RS, nenhum. Assim, Verdão e Tricolor fariam na última rodada a final no Morumbi, cujo vencedor seria o grande campeão (nosso adversário tinha um saldo de gols superior ao nosso – dois, contra apenas um). A menos que...

A menos que o Cruzeiro/RS vencesse em Porto Alegre/RS. Mas não seria qualquer vitória: para levantar a taça, o time mineiro teria obrigatoriamente de torcer por uma vitória são-paulina e marcar quatro gols a mais. Se isso acontecesse, as três equipes terminariam empatadas com 4 pontos, mas o time mineiro levaria a taça pelo saldo de gols.

Então, todas as atenções se voltaram para o Choque-Rei. Nele, a situação era mais simples: com 4 pontos, o Palmeiras precisaria apenas de um simples empate para se sagrar bicampeão nacional. Já ao São Paulo, como dissemos acima, somente a vitória interessava.
Na verdade, os são-paulinos nem se importaram com outra partida que não fosse a deles. E, devemos admitir, jogou melhor do que o nosso time. Muito bem armado pelo competente José Poy e tendo em seu elenco estrelas como Valdir Peres, Chicão, Pedro Rocha e Mirandinha, nosso adversário pressionou durante quase toda a partida e criou um sem-número de claras oportunidades de gol.

Porém, do outro lado estava a melhor equipe do Brasil naquele momento, e que tinha em seu sistema defensivo craques absolutos como Dudu, Luís Pereira e, naquele clássico principalmente, Émerson Leão. Autor de várias e importantíssimas defesas, nosso camisa 1 foi o maior herói daquela fantástica conquista ao impedir que o 0 a 0 se alterasse no então ainda manual placar do Morumbi.


Confira a ficha técnica da histórica partida:

08- Verdão Sofre Mais Fatura O Bi


A rivalidade no futebol entre paulistas e cariocas vem de longe, mas tão de longe que às vezes parece que existia antes mesmo de Charles Miller chegar da Inglaterra com as duas bolas de couro sob os braços. Por isso, desde que o mundo é mundo, sempre se discutiu quem jogava melhor, se os bandeirantes ou os fluminenses.

A primeira vez em que isso foi colocado à prova aconteceu em 1926, quando os campeões de cada uma das federações - no caso, Palestra Itália e São Cristóvão - disputaram o título de Campeão Honorário do Brasil. Nem é preciso dizer que faturamos a taça.

Nos anos subsequentes o torneio não teve uma periodicidade constante - houve época em que foi disputado, noutra foi totalmente esquecido. Para nós, alviverdes, o que importa é que no começo de 1948 ele aconteceu e envolveu os campeões carioca (na época chamado de guanabarino) e paulista do ano anterior, respectivamente Vasco da Gama/RJ e Palmeiras.

Para se conhecer o campeão honorário do Brasil de 1947 foram necessárias três partidas, o que prova o total equilíbrio que existia entre as duas equipes. Também, pudera: se de um lado estavam feras como Oberdan, Fiúme, Lula, Bovio, Lima e Canhotinho, do outro Barbosa, Augusto, Eli, Danilo, Friaça, Ademir e Chico formavam a maravilhosa base do time que ficou conhecido como “Expresso da Vitória”. Se montassem um combinado, palmeirenses e vascaínos bem poderiam representar a Seleção Brasileira.

O primeiro clássico aconteceu em 7 de janeiro de 1948. Jogando no Pacaembu, o Verdão venceu por 2 a 1, gols de Lula e Bovio (Ismael descontou para o time carioca). Precisaríamos apenas de um empate da partida decisiva, em São Januário, mas o Vasco fez valer o fator casa e devolveu com juros a derrota: 3 a 1 (Bovio abriu o placar para o Palmeiras, mas Chico, Djalma e Friaça levaram o campeão carioca à vitória).

Foi necessária, então, uma terceira partida, porém antes desta o Palmeiras disputou um amistoso com o River Plate/ARG, no Pacaembu, e perdeu por 2 a 1. Os dois tropeços seguidos fizeram a diretoria demitir o técnico Oswaldo Brandão e, desta forma, quando chegou o dia da finalíssima do Torneio Honorário do Brasil nossa equipe já tinha Cláudio Cardoso no comando.

O jogo, claro, foi mais uma vez muito equilibrado. Mesmo atuando diante de sua torcida, os palmeirenses tiveram enormes dificuldades para se sobreporem aos vascaínos, e a maior prova disso foi o apertado placar - 2 a 1, com gols de Lima e Arturzinho para o Verdão e de Chico para a equipe cruzmaltina. Os minutos finais da partida foram de total pressão vascaína, mas Oberdan e em seguida Rodrigues conseguiram segurar os craques fluminenses e garantiram o bicampeonato do torneio para o Palmeiras.

Confira a ficha técnica do jogo em que garantimos a taça cuja foto ilustra esta seção.